Ano passado minha vida tava uma merda, eu me sentia uma merda, tudo era uma grande merda, foi quando o cosmo ficou com pena da grande merda que era eu e resolveu me roubar uma unha! Na virada do ano passado pra esse ano, saí como de praxe e enchi minha cara como de praxe, Também não me lembro da minha virada, como de praxe, o que tenho são alguns flashes de memória com o episódio da Iemanjá o qual já foi tragicamente blogado anteriormente (Clique e leia). Sei apenas que no dia seguinte, quando fui verificar se tudo se encontrava no lugar, se eu não havia deixado algum pertence para trás ou se eu possuía algum novo hematoma, me deparei com uma de minhas unhas faltando, isso mesmo, me faltava uma unha no pé e aquilo estava no vivo, apenas carne e sangue, nem sinal de unha (nesse instante me veio à cabeça todas as roídas de unhas já efetuadas por mim ao longo de minha vida e me arrependi profundamente de ter desperdiçado as tais.) Depois de muito me desesperar, fazer um fuzuê, ficar pra lá de bagdá, tomei ciência de que precisava limpar aquilo e vi estrelinhas enquanto uma sábia amiga tentava me arrancar brutalmente aquele resto de pedaço de unha da piedade que estava pendurado em meu dedo, me causando náuseas e desconfortos visuais, foi quando a mesma sábia me contou que em reinos distantes, ouvira uma história um tanto quanto interessante, que dizia que quando se perdia uma unha na virada do ano, a vida de repente se transformava e mudava pra melhor já que tudo de ruim ocorrido em anos passados iria embora com a tal unha. Mandei ela ir à merda! Janeiro passou aos trancos, cambaleios e barrancos e em fevereiro, vestígios de unha perdida finalmente começaram a aparecer em outra forma, é como se o espírito da unha que morreu viesse pra mudar de fato minha vida, mas isso é tudo besteira, unha não tem espírito. A queda da unha de repente pareceu fazer algum sentido, já que a merda toda de ano que passou foi pra algum ralo cósmico e inanimado e rodou sem se espalhar nem um pouco em algum ventilador que pudesse aparecer. Foi ótimo, minha vida começou a fluir, a merda se esvaiu, uma nova unha começou a crescer e desde então, coisas ótimas ocorreram fazendo desse 2012 um ano de alívio entre tantos anos de pura merda que andei presenciando. Talvez o lance da unha, mesmo que invetado por alguma amiga com dó, seja no fundo verdadeiro, ou então não passou de uma puta e agradável coincidência. To até pensando em perder mais unhas nessa virada para 2013! Que venha outro ótimo ano agradável, de cabeça e coração aberto para minha mais nova aventura de fuga para o Mato Grosso! Bons ventos para todos nós e de preferência, ventos bem gelados lá pra minha mais nova terra!
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
Vida frenética e calma de universitária sem jeito.
Não faz nem um mês que estou por aqui e já me sinto nativa dessas terras ricas! Andei me acostumando tanto com os "guris", "moça", "uai", "saca", "pensa", "boto fé", entre outras expressões utilizadíssimas pelos mato-grossenses que vez em outra, solto uma frase pronta e infestada de centro-oeste, tal como: "Uai guri, não boto fé que você não se arrumou ainda moço, tá na hora já, saca?" (Mentira, nunca que eu ia falar uma frase dessas no dia a dia.) Minha vida anda num ritmo meio frenético, não de dia porque quando não tenho aula, fico vegetando dentro do meu quarto com o ar ligado, acho que daqui cinco anos quando voltar pra minha terra paulista, ainda não me acostumarei com o clima da minha segunda terra mato-grossense! Sempre fui meio desenfreada, desajuizada, mas aqui to levando vida de gente grande que tem que cozinhar pra comer, limpar a casa, comprar água e gás, mas isso só na teoria, porque se for pensar na prática, é relevante eu mencionar o fato de que fiquei uma semana com a casa imunda, sem roupa limpa, sem água, sem gelo e sem comida, foi uma semana de muito sol e em semanas de muito sol, prefiro ser vampiranha e morcegar dentro de casa. Também já me acostumei com a vida de caloura empreguete, levo bandejas e sucos pros veteranos numa boa, também os sirvo em festas sem pestanejar, e mesmo sendo caloura aplicada tomei uma trotada sem igual, meu trote foi tenebroso. Se meu cabelo pudesse falar, ele certamente iria querer desabafar sobre como ultrapassou seus limites de cabelo, quebrou barreiras, e sobreviveu ao trote, mas ele diria isso ao seu psicólogo, após um ano de terapia pós trote. Tinha farinha de trigo, café, cinquenta tons de tinta, ovo podre, mais farinha, mais tinta que bonitamente nos customizou pra um ritual de magia negra, onde meus veteranos fizeram um pacto com o diabo e baixaram espíritos de gente porca com banana podre dentro da blusa, após o banho numa piscina de lama com frutas bichadas e escuras que atraem a atenção de qualquer mosquito ou urubu. Não sei como não fui carregada por um urubu após o término do meu trote que também envolveu tomar ovo e cuspir de novo no copo para o próximo tomar (fui uma das últimas, então aturei cuspe da turma inteira com gema que já tava branca, mas não gosto de pensar sobre esse momento, me deixa meio suicida!). Apesar de todo o recalque e flagelo à qual estive sujeita nesse momento de vingança de meus veteranos, me diverti horrores e ri à beça da minha própria desgraça, porque eles daqui não sabem, mas já tenho uma certa experiência em transformar minhas tragédias em comédias e comédias em tragédias, esse blog não me deixa mentir, então fui com tudo chupar banana com catchup, procurar halls com a boca num pote de farinha que estava no chão e achei interessante, agora compreendo o porque de tanta raiva no coraçãozinho desses meus veteranos, eles também já passaram por isso. To feliz, to feliz à beça, to feliz demais, é tanta felicidade que tenho medo de dizer demais e ela acabar! Antes tava com medo de deixar a estabilidade da minha vida que mesmo desenfreada, era profissional, mas agora tenho plena consciência de que se eu estou aqui, é porque é pra eu estar aqui, não se pode ir contra o destino, ou o cosmo. Por enquanto larguei um pouco a mão de escrever sobre minhas festas e ressacas, mesmo que aqui tenha festa todos os dias e eu tenha ressaca todos os dias, causo bastante por essas bandas também, esse é um karma daqueles que gruda mais que a banana podre do trote, mas é uma causada suave, sem muitos constrangimentos, tudo muito tranquilo! Resolvi mudar, agora sou uma Bárbara mais controlada, menos pegadora e mais estabilizada. E que seja assim até meu próximo capote de cara numa desilusão que me faça voltar a lamentar e rir de minhas tragédias. Agora vou nessa porque um churrasco me chama! Fui.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Devaneios numa tarde quente. (Pra não perder o costume! )
Acho que finalmente to no lugar certo por mais que isso não faça o menor sentido. Detesto calor (sempre detestei), detesto matemática (vou fazer engenharia), mas é estranho como as coisas parecem estar onde deveriam estar... à começar pelas pessoas. Uma coisa que raramente já me ocorreu, vem acontecendo com uma certa frequência nessas terras mato-grossenses... To cercada de pessoas excepcionalmente familiares. É como se eu já conhecesse a maioria, só não lembro de onde! Essa sensação é tão surreal que dá início à uma série de questionamentos que antes ficavam vagos no ar, sem exemplos práticos, como por exemplo a pergunta que não cala: será mesmo possível um reencontro de espíritos de outras vidas? Essa sensação não chega a ser ão forte à ponto de eu afirmar que fui irmã ou tia de alguém que conheci há menos de uma semana, mas a sensação de que eu conheço de antes algumas pessoas é tão forte que passei uma noite inteira tentando pensar se haveria alguma possibilidade de eu já ter visto tais pessoas, só que não né, aqui é Mato Grosso e eu sou de SP. Parece tolo, mas de vez em quando penso que talvez seja o tal destino agindo sobre a gente, nos colocando na estrada que deve ser seguida e esses flashes de memória de algo improvável, somos nós identificando o "caminho certo". Dizem que o tal dejavú é basicamente isso, a cena que a gente tem a impressão de "já ter visto antes" é o nosso reconhecimento de que estamos no lugar certo. Deve ser por isso que fazem séculos que não tenho um dejavú, é impressionante a minha habilidade de estar sempre no lugar errado, na hora errada, mesmo que eu esteja no lugar certo. Pode ser que como sempre eu esteja falando bobagem, não estudo religiões ou ciência e nem tenho interesse, só digo o que eu penso e esse pensamento tinha que sair da cabeça e vir pra uma página do word, ou iria acabar me endoidando. Acho que se for pra ser, vai ser e se não for, fazer o que!
31/07/2013 - Não foi, se deu mal sua lesa!
31/07/2013 - Não foi, se deu mal sua lesa!
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Traços de uma semana no centro-oeste
Hoje faz uma semana que aterrissei nessas terras férteis e ricas do Mato Grosso que me renderão boas safras de dinheiro e é impressionante como a timidez tomou conta de mim de repente. Moro sozinha, o que pra mim é um alívio já que sou surtada com mania de limpeza e poderia cometer um assassinato facilmente se alguém deixasse um copo fora do lugar, mas o interessante daqui é que mesmo que cada um fique no seu quadrado, ninguém fica sozinho, exceto eu e minha timidez repentina. Por se tratar de um bairro universitário, existem espécies de "condomínios de quitinetes" pra todos os lados, além de mercadinho, farmácia, sorveteria, pizzaria, bar, boteco, república, república, árvore, árvore, árvore, árvore, gato, gato, gato, gato (existe um número absurdo de felino procriando por essas bandas), e todos são muito unidos, tenho certeza absoluta que cheguei a ver um gato unidíssimo à uma árvore ontem, quase uma cena proibida para menores (talvez eu tenha pesadelos com aquilo), as pessoas são muito simpáticas e atenciosas, alguns são preconceituosos como aquele encanador que me taxou como patricinha logo de cara sem nem me conhecer só porque sou loira, tava de vestido e sou de SP, bom... antes patricinha que puta, mas isso pra mim foi preconceito e não vi a menor graça, mal cheguei no Mato Grosso e fui alvo de preconceito por conta do meu Estado e aparência? E olha que eu tinha oferecido água, coca, suco e cadeira pro encanador hein, devia ter oferecido um tiro no meio da testa do sujeito também! Tirando o calor, aqui é perfeito e essa é a frase dita por todos os moradores de Rondonópolis, seja ele de SP, MG, TO, FDP, VSF, ETC, porque aqui tem gente de tudo que é canto. No meu "condomínio" tem gente de Goiás, Cuiabá, Tocantins, São Paulo, Paraibuna, e de outros lugares que eu ainda não sei devido ao fato que mencionei acima: uma timidez filha da puta tomou conta de mim e me fez ser uma decepção pro universo nessa semana que passou, mas to trabalhando nisso alcoolicamente falando (mentira). Tirando o calor (fase padrão) nada aqui me estressa, me irrita ou me deixa mal humorada, ontem foi o único dia que sofri de insônia, fui dormir às 4hs da manhã (o que aí em SP seria 5hs, existe um certo fuso horário) e por conta disso acordei super tarde hoje, mas já lavei roupa e tomei banho (na verdade lavei roupa no banho). Se eu fosse minha vizinha eu iria pensar que sou emo ou que morri dentro da minha casa, porque de dia eu quase nunca saio, não abro a janela, e mal abro a porta, pro ar-condicionado refrescar cada metro quadrado desse pequeno lar que chamo de meu, e não funciona muito na cozinha que vive um inferninho, mas meu quarto, aaaaaah meu quarto... é uma espécie de oásis no meio do deserto. Talvez a única coisa que me estresse um pouquinho (sempre tem que ter uma coisinha), é o chuveirinho do banheiro. Não sei porque é que inventaram aquela coisa inútil, quando eu era pequena podia até ser bacaninha, mas agora aquilo é um verdadeiro mártire durante o banho (tá, talvez eu tenha exagerado). Funciona assim, quando eu to finalmente relaxando numa boa, na aguinha fria de chuveiro que vive no desligado, aquele maldito chuveirinho escapa e voa água pra todo canto e IMPRESSIONANTE como ele sempre escapa quando eu tenho shampoo no cabelo, o que me faz levantar a cabeça rapidamente pra controlar a água desenfreada e o shampoo desce lentamente para meus lindos olhos. Esses dias quase tomei um tombo olímpico por conta do maldito chuveirinho inútil, mas fora o chuveirinho aqui tá bom demais, uai... Descobri também que a expressão "uai" não se restringe aos mineiros, os mato-grossenses são pioneiros nesse lance de "uai", cada ué meu é um uai deles, bacana isso uai. Também to ficando lenta, muito lenta, basicamente vegetativa por assim dizer. O calor faz essas coisas com a gente, deixa a gente mole, lerdo, lento, mongol, (os baianos que o digam) mas o calor infernal deixa a gente vegetativo. Meu vizinho me olhou com piedade agora pouco e me mandou uma sms dizendo: vida morgada essa sua hein! E não vou negar, não existe vida mais parada que essa minha por enquanto. Não sei se é a fase de adaptação, mas não faço absolutamente nada, só espero o dia acabar. Nunca pensei que diria isso, mas cairia bem a aula começar logo, meus neurônios estão atrofiando e isso não é normal pra quem não é dada à queimar um, to com neurônio queimado sem nem ter tido a brisa bacana que queima o neurônio. Injusto isso aí! Agora vou visitar a mãe do meu vizinho que é super bacana, ela às vezes me dá comida. (Não levem à sério, tem muita comida na minha geladeira hahaha foi só uma brincadeirinha). Fui!
sábado, 24 de novembro de 2012
Primeiros dias de mato-grossense
Claro que não sou uma mato-grossense e nem serei uma
tão logo já que nasci no interior de SP, mas como optei pelo
desafio de viver como uma mato-grossense, cá estou eu num mato sem cachorro,
mas com muitos gatos malhados (felinos mesmo ), os quais eu não posso alimentar
de acordo com meu contrato de locação, mas que alimento mesmo assim. Após muita
turbulência, uma quase queda de meu avião, alguns gritos de uns passageiros, e
um piloto filho de uma égua, que deveria estar bêbado, aterrissamos, ou pior,
quase chegamos ao núcleo da Terra após a tentativa falha de aterrissagem
daquele piloto mal amado da Trip (falo mesmo, PÉSSIMA empresa aérea), e NÃO
ESTAVA CALOR, isso mesmo, a temperatura estava por volta dos 27º C o que é
normal na cidade pequenina e velha de Paris, logo pensei, opa, comecei bem com
o clima... engano meu! Cheguei, chequei os móveis, me frustrei com o tamanho
minúsculo de minha quitinete (acho que antes eu ainda não tinha me dado conta
do que é de fato uma quitinet), e fui direto no ar condicionado! Ah, o
ar-condicionado.... Acho que não existe invenção melhor nesse mundo, tenho
plena certeza que foi uma mato-grossense à beira da loucura que inventou o célebre
ar-condicionado. Liguei o tal! O tal ventilou, ventilou, ventilou, só ventilou,
opa.... como assim só ventilou, porque cargas d’água meu ar condicionado tá só
ventilando? E eu suando, suando pra valer! Nessa altura do campeonato, a
temperatura já havia subido uns 10ºC! Me estressei. Se tem uma coisa que me
estressa profundamente é o tal calor, e eu sei que escolhi o lugar errado pra
viver por cinco anos já que detesto sol, mas detesto ainda mais um ano de
cursinho. Acordei louca de emburrada, minha tromba atravessava a Bolívia e eu
brava, muito brava, tomei um banho morno que estava com o chuveiro no gelado,
por meia hora. Me desculpa meio ambiente, mas eu estava estressada demais pra
pensar na natureza! Xinguei até a quadragésima quinta geração desse
ar-condicionado e de quem me vendeu até descobrir que a errada era eu, eu é que
não estava colocando na opção “+frio” que estava bem na minha fuça. Essas
pessoas que vendem ar-condicionado deveriam começar a pensar seriamente em
investir no aumento das letrinhas do aparelho. Meu quarto esfriou, fiquei feliz
por um tempo, até mudei os poucos móveis de lugar, mas tive que sair cuidar da
parte burocrática da coisa. DETESTO BUROCRACIA! Também odeio andar muito, agora
junte na matemática (que eu também detesto): andar muito + no sol +
resolver burocracias no Mato Grosso + calor infernal + Rua sem Ar Condicionado
= Bárbara muito, mais muuuuuuito bravinha e estressada. Eu e minha mãe (que
possui toda a paciência do mundo) pegamos um ônibus, descemos no lugar errado
por minha culpa e andamos por meia hora deibaixo do sol. Depois andamos por mais
vinte minutos por baixo de uma tempestade que nos deixou encharcada para chegar
até o lugar que transfere a conta de água. Acontece que a leitura foi
feita ontem e o MALDITO SISTEMA DO COMPUTADOR DA MOCINHA não deixou a gente
transferir o negócio, ou seja, andamos esses cinquenta minutos no sol e chuva
pra absolutamente nada! DETESTO BUROCRACIAS! Depois andamos mais meia
hora embaixo do sol pós evaporação da chuva que choveu minutos antes (o ciclo
da água ocorre realmente rápido por essas bandas quentes) para passar a energia
para o meu nome, esperamos uns quarenta minutos na fila, mas foi ótimo porque
havia ar condicionado e cadeira confortável no local... eu poderia passar o resto
da vida ali numa boa! Depois de resolver pelo menos uma burocracia e já com o
dia acabando, andamos mais meia hora e fomos à um atacadão que se chama
ATACADÃO, parecidíssimo com o Tenda de sjc, lá tinha café e eu fiquei muito
feliz com isso já que por aqui é super difícil encontrar café à tarde.
Compramos umas coisas de dona de casa, e fomos na chuva novamente que
provavelmente era fruto da evaporação da outra chuva anterior daquela mesma tarde,
até as Casas Bahia comprar um novo Notebook já que o meu morreu de vez.
Enquanto eu olhava, minha mãe deu a célebre escapadela de sempre, na qual ela
me deixa com todas as compras e some por ai, foi até a Pernambucanas que ficava
longe dali e nós estamos no Mato Grosso e não em SJC. Após meia hora de espera,
peguei todas as compras pesadas e saí na chuva atrás da Pernambucanas e da
minha mãe que haviam sumido, eu estava muito, muito, muito brava, mas precisava
de um notebook, então um sorriso logo tomou conta do meu rosto. Compramos e esperamos mais uma hora na fila com ar condicionado, só que de pé, o
que não foi muito bacana pra quem passou o dia inteiro andando, e voltamos pra
minha casa, my place, meu barraco, comemos e eu capotei com toda a dor de
cabeça e ância do mundo... Depois acordei de madrugada com uns loucos ouvindo
musica altíssima. Deviam ser alguns adolescentes usufruindo de suas sexta-feira
e então voltei a dormir. Acordei às 7hs tomei um banho, café, lavei roupa e
sofri preconceito de um mato-grossense, isso mesmo, eu fui alvo de preconceito
nessa bela cidade, mas isso é assunto pra uma próxima postagem, agora vou ver
se arrumo a senha da internet. Fui!
sábado, 17 de novembro de 2012
Os 5 dias
Faltam 5 dias para eu deixar pra trás a velha Paris, cidade das águas escuras. CINCO dias, que parecem um milênio, mas que ao mesmo tempo parecem cinco minutos. Até então eu estava estável, pensando no quão equilibrada eu sou, sensata, ponderada e corajosa, acontece que é mentira, meu corpo andou me enganando por esse tempo todo se fazendo de bad ass, mas agora que me dei conta que daqui c-i-n-c-o dias, neste mesmo horário, eu estarei definitivamente num outro lugar, me borrei toda (não literalmente, porque com o nervosismo, meu intestino resolveu travar pra sempre). Serão cinco dias sem ir ao banheiro, sem saber me organizar, forçando a mente pra não deixar nada pra trás, forçando os olhos para captar qualquer movimento brusco de minha mãe, como por exemplo o que fazer quando o gás acabar. Nunca achei que teria esse tipo de questionamento na minha vida tão cedo, na verdade, sempre soube que eu teria já que meu destino me empurrou pra uma direção contrária à dessas donas de casa, e agora assim, repentinamente, percebi que terei cinco míseros dias pra aprender a trocar chuveiros, fazer feijão, deixar meu apê em ordem, mantê-lo em ordem. Ontem fui à americanas comprar uma pringles, como de costume, e me deparei com um jogo de panelas super bonitinho, roxinho, da tramontina. Nunca pensei que minha atenção se ateria à um jogo de panelas, depois à um jogo de talheres e por fim ao preço de ambos me lembrando que não caberia comprá-los na minha atual situação de pindaíba. Tenho cinco dias pra aprender a administrar meu dinheiro. Fico pensando sobre o restante dos dias que me passaram, no que é que eu estava pensando, o que é que eu estava fazendo, porque é que eu não estava me organizando fisicamente e mentalmente pra encarar numa boa a chegada desses 5 dias tão horripilantes e me dei conta que antes eu não tinha me dado conta. Tenho essa mania chata e cheia de consequências de nunca me dar conta de nada. Me lembro que nesse último mês, me esforcei como um camelo pra dar conta de pelo menos uma coisa: meu trabalho. Nesses oito meses de trabalho, descobri que apesar de ainda ser muito irresponsável e adolescente, levo extremamente à sério meus compromissos. Sou dessas que perde noites de sono pensando sobre o laudo ambiental, parecer técnico, vistoria, notificação, burocracia, blablabla, mimimi, todas essas coisas que ocuparão minha cabeça no dia seguinte e que eu provavelmente darei conta porque pra mim, trabalho é compromisso e compromisso é coisa séria. Talvez tenha sido por isso que eu tenha me esquecido que um dia os cinco dias chegariam, estava ocupada demais trabalhando demais. Valeu a pena, aprendi a beça! O que me atormenta mesmo nesses cinco dias não é tanto pensar na solidão futura, porque eu adoro a solidão, adoro meu espaço, adoro ter meu ritmo, é pensar em ter que crescer como gente, porque apesar de eu ja ter crescido um pouquinho como profissional, não vou negar, minha vida é boa. Minha mãe batalhou a vida inteira pra me dar uma vida boa e eu não vou abrir mão dessa vida e virar franciscana, não sou santa ou mané. Penso sobre as contas de água, luz, esgoto, entre outras que eu terei que pagar e o pior, que não poderei esquecer de jeito nenhum, o que é um grande problema já que minha memória é péssima; Penso sobre a comida que terei que preparar se não quiser morrer de fome e modéstia parte, eu cozinho horrivelmente mal; Penso sobre a roupa que terei que lavar entre um período da faculdade integral e outro, penso, penso, penso e surto com esses cinco dias que me restam. Cinco dias repletos de muita tensão, e eu realmente espero que pelo menos meu intestino funcione nesses cinco dias. Até qualquer dia, fui.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Guia prático para sobreviver no vermelho.
Por mais que você negue, gargalhe da flagelisse do seu primo (que vive endividado) sem lembrar do velho ditado: "quem ri por último..", pense que nunca adoecerá desse mal horrendo que obrigatoriamente te suga as disposições de sábado a noite te fazendo ficar em casa por falta de um mísero tostão, jure que nunca irá se emocionar quando encontrar 5 reais perdidos em seu bolso... O vermelho sempre te alcançará! SEMPRE. E é por conta dessa minha experiência sórdida e deprimente que agora, do nada, sem resenhas ou rascunhos, nem ideias fantásticas ou engraçadas, elaborarei um pequeno guia prático sobre como sobreviver a algumas experiências radicais e novas nessa fase de classe média endividada que apareceu esporadicamente sem ser convidada.
(Importante ressaltar que todas as dicas aqui mencionadas, foram idealizadas à partir de estudos reflexivos de alto calão e fatos verídicos deprimentes, ocorrentes nesses últimos três meses da minha vida de flagelo.)
DICAS PARA SUPERAR A PINDAÍBA, boa sorte!
1 - Guia prático
para se andar no shopping, no vermelho (e não se trata de tapete vermelho porque você é importante, se
trata do vermelho negativado na sua conta, até porque você não é tão importante para os outros que não seja a sua mãe. No máximo, pode-se dizer que
trata-se do vermelho de raiva que você fica sem grana):
Dói né andar no shopping e ver aquele consumismo adoidado, desnecessário se alastrando pelas bolsas victor hugo que não são suas, ver aqueles vestidos zara longos e lindos saindo nos braços de um
outro alguém que não é você, ver aqueles sapatos de grife sapateando na sua cara de vontade. Mas tudo bem, nada é tão ruim que não possa piorar, você sobrevive... Nada que uma pizza enrolada de R$1,50 na americanas não dê jeito, é uma amarrada só no estômago praquele sorrisão de desconforto estomacal aparecer em seu rosto suado de quem teve que andar bastante pra evitar gastar com bus. Você deve estabelecer alguns critérios em sua vida de pindaíba ao ir no shopping, como por exemplo, colocar em prática o velho hábito de apenas olhar pra frente custe o que custar, nunca, JAMAIS, dê sequer uma espiadinha de canto de olho naquela sua loja adorada, porque nós somos fortes e não somos sadomasoquistas! Quando a vontade dessas lojas chegar forte, corra pro calçadão, porém, como o custo de vida anda meio alto até por aquelas bandas (sem dinheiro, até o Divino teria custo de vida alto), não vá muito alvoroçado às compras, porque no fim do mês, seu cartão certamente te dará um tapão servido no meio da sua cara de endividado. Respire fundo, abrace o produto, sugue a vontade de tê-lo com seu pensamento e não com seu dinheiro e vá embora com suas mãos abanando, no fim das contas você se sentirá vitorioso.
2- Guia prático para se virar no sábado à noite:
Nos embalos de sábado à noite, opte por não ir imediatamente ao barzinho de costume que te cobra uma fortuna só pelo couver, pense em fazer uma pequena parada antes, como um programinha novo, desses gostosos que seu primo que bebe corote com coca faz. Nada é tão ruim que a bebida não dê jeito! Se arrume que nem diva, se vista para matar e saia como se fosse jantar com Jude Law em algum point de L.A, não precisa ser apressada, quanto mais você demorar a sair, mais bêbadas estarão as pessoas na rua e mais relapsas também, o que te deixará livre para poder fazer aquela seu pit stop. O tal pit stop nada mais é que uma parada discreta num bar fuleiro, porém barato, onde você beberá tudo o que iria beber no barzinho careiro, mas pela metade do preço. Isso tudo é jogada de empreendedor, meu bem, tem que saber onde aplicar e quando aplicar. (Claro que se você soubesse como aplicar, você não estaria nessa situação lamentável agora, mas força na peruca e salto no pé, mesmo que do calçadão!). Arrisque uma caipirinha normal uma vez na vida e não uma daquelas que você é acostumado a beber que provavelmente venha líquidos de ouro, devido ao preço absuuuuuurdo, ou então como faria uma amiga, entorne o fogo paulista mesmo e já era, deixa a felicidade fluir e bora pro barzinho de costume, pagar apenas o couver. Economia é tudo nessa vida.
Nos embalos de sábado à noite, opte por não ir imediatamente ao barzinho de costume que te cobra uma fortuna só pelo couver, pense em fazer uma pequena parada antes, como um programinha novo, desses gostosos que seu primo que bebe corote com coca faz. Nada é tão ruim que a bebida não dê jeito! Se arrume que nem diva, se vista para matar e saia como se fosse jantar com Jude Law em algum point de L.A, não precisa ser apressada, quanto mais você demorar a sair, mais bêbadas estarão as pessoas na rua e mais relapsas também, o que te deixará livre para poder fazer aquela seu pit stop. O tal pit stop nada mais é que uma parada discreta num bar fuleiro, porém barato, onde você beberá tudo o que iria beber no barzinho careiro, mas pela metade do preço. Isso tudo é jogada de empreendedor, meu bem, tem que saber onde aplicar e quando aplicar. (Claro que se você soubesse como aplicar, você não estaria nessa situação lamentável agora, mas força na peruca e salto no pé, mesmo que do calçadão!). Arrisque uma caipirinha normal uma vez na vida e não uma daquelas que você é acostumado a beber que provavelmente venha líquidos de ouro, devido ao preço absuuuuuurdo, ou então como faria uma amiga, entorne o fogo paulista mesmo e já era, deixa a felicidade fluir e bora pro barzinho de costume, pagar apenas o couver. Economia é tudo nessa vida.
3- Guia prático para locomoção:
Caso você não tenha carro moto ou uma alma boa que te dê carona pra balada, não opte por táxi, estudos recentes indicam que vem crescendo continuamente o índice de assaltos à mão desarmada pelos taxistas da grande Paraibuna. Ontem ouvi que um deles cobrou 20 reais pra levar uma menina do centro ao cuba, quase uma extorsão. Se você tem pernas, abuse do chinelinho na bolsa e caminhe até a festa, depois você coloca seu chinelinho havaianas branco com alça azul de 2001 na bolsa e sobe no salto. Se você não tem pernas, abuse de sua cadeira de rodas, aproveite as descidas, pegue embalo e chegue mais rápido na festa, apenas tome cuidado com seu penteado, ninguém gosta de um cabelo embaraçado pós ventania doida. Se você tem carro, pegue um pouquinho de gasolina emprestado do vizinho com um pedaço de mangueira cortada também do vizinho, se você tem moto, vá de moto porque é super econômica e ótima. Mas vá! Não deixe que a pindaíba acabe com sua festa.
Sem escolhas, entrei no clima de corte de gastos de corpo, alma e bolso. Siga as dicas e sobreviva você também!
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Nota sobre tais queimadas descompassadas
Funciona mais ou menos assim: a água da chuva cai sobre a folhagem das árvores, escorre mansamente pelo tronco, chega no solo, onde é absorvida e acumulada no lençol freático e ai, TCHARAMMMM, pode brotar água da sua terra, dá-lhe uma nova nascente! Olha que lindeza de natureza! PORÉM (impressionante como na vida humana sempre há um porém), existem uns flagelados mau amados e loucos de ignorantes que não sabem cuidar de suas terras e de repente querem tudo "limpo", ai juram que a melhor opção é tacar fogo no terreno, como se o fogo não se alastrasse e não afetasse mais ninguém. Acontece, que num terreno "limpo" que foi queimado cruelmente por alguém que pretende comer fumaça num futuro sem alimentos, a água da chuva passará como enxurrada e levará consigo o resto dos minerais existentes naquele solo, extinguindo a possibilidade de haver novas nascentes no terreno, ou até o capim pras suas mães (já que muitos ateiam fogo pleiteando pasto) e fazendo com que as que já existiam, morram sordidamente. Um verdadeiro atentado à natureza! Uma natureza que nos propicia alimento, sombra e água fresca!!! AHHH, NA MORAL, vão pra puta que pariu! Ninguém é mais tão inocente a ponto de não saber o problema grave que são as queimadas e ainda mais, ninguém é tão alienado a ponto de não saber que isso é crime. Torço pra que o corpo seco em osso e osso (não deve haver muita pele) enfie uma tocha fervente em seus orifícios criminosos.. e digo mais, tomara que a terra os engula e os tais disseminadores de fagulhas, sejam tostados no quinto dos infernos ferventes... Panacas!
domingo, 4 de novembro de 2012
Trégua do universo
No meio de tanta merda, eis que há um dia de trégua! Quando a vida tá difícil o bastante pra você querer desperdiçá-la na cama, dormindo, sozinha, no escuro por um mês inteiro, porque esse seria o único jeito de nada de ruim te acontecer (exceto pelos fantasmas mau amados que poderiam te infernizar), um dia o universo finalmente fica com dó e resolve abrir uma exceção. Um dia de luz no fundo do poço, com seus poréns, claro... porque nada é fácil demais!
Depois de uma madrugada turbulenta, com muita dor de cabeça, vômito, choro e preocupação de mãe com os cachorrinhos que ainda me restam, acordei antes das 8hs pra não perder a hora da tatuagem que finalmente consegui marcar. Não consegui comer direito, me arrumei depressa com toda a dor de corpo que houvesse nessa vida e fui em cima da hora correndo pro ponto. Descobri que esqueci meu pen drive com a árvore que eu iria tatuar, voltei correndo. Desci com dor no corpo inteiro, suando e mais do que encima da hora pra pegar o bus, que por sinal estava mega, ultra, master, blaster cheio de pessoas idosas que preferiram deixar as janelocas fechadas, mesmo com as 50 pessoas de pé no corredor. (Um beijo pra eficiente litorânea que magicamente criou ônibus que comportam até 300 pessoas). Esse foi o início do meu dia de luz no fundo do poço, por incrível que pareça. Fui rindo à toa porque antes de sair de casa, me deparei com o Bento e Betina que estavam sumidos de madrugada (motivo das minhas lágrimas), e com essa onda de assassinato de animais que já me tomou a Miuxinha, ando muito sentimental com relação à bicharada. (Se eu pego o doente mental, filho de uma monstra, asqueroso, puto, bastardo, flegelado de ânus enorme, calhorda, mal amado, recalcado, avulso que fez isso à pobrezinha da Miúxa, eu viro Dexter.) Cheguei cheia de coragem pra passar mais dor ainda e tinham algumas moças na minha frente. O stúdio tinha paredes de vidro, então eu seria atração por algumas horas com minha cara de dor para as pessoas que subissem, descessem a escada rolante ou que estivessem de passagem por ali mesmo, ou seja, pra geral! Incrível como me senti estrela, teve um momento em que umas 15 pessoas estavam acumuladas na parte de fora do stúdio, avaliando minha performance de pessoa forte que não faz careta. Sou dessas! Entre essas pessoas, por coincidências da vida, vi três parentas que não via faz tempo, de passagem pelo local, escolhendo um piercing pra mais novinha, tentei esconder meu rosto de dor, mas não foi possível... Eu era mesmo aquelas galinhas nos fornos de restaurantes. Fiz minha árvore que foi escolhida a dedo, e que foi rejeitada por dois tatuadores devido à imensa dificuldade de ser feita, e ainda houveram algumas rejeições depois de feita, por parte de alguns amigos bobinhos. As pessoas não entendem que o fato da minha árvore ser colorida e meio sem forma, é porque eu sou uma pessoa com olhos artísticos que adora coisas impressionistas, então façam o favor de rejeitar minha árvore pra lá, seus sem visão para a arte!
Enquanto eu fazia minha tattoo e parecia que minha perna pegava fogo, fiz amizade com um dos tatuadores do local que por incrivel que pareça, adora Parisbuna. O cara é igualzinho ao Jack Sparrow, tanto que ele faz trabalhos vestido de Sparrow e é sangue bom pra caramba. Incentivei o rapaz a montar um stúdio aqui na cidade pequena, e parece que ele vai mesmo, nada que um marketing dozamigo não resolva! (Stúdio Punk Tattoo - Shopping do Centro de SJC. Tattoos bem feitas, não muito caras e ainda com tratamento vip... Recomendo, me senti num SPA!) Antes de sair ainda fui convidada pelo tal Tarcísio Gente Boa Sparrow a participar do motoclube que ele montou, agora imagina se eu com toda essa minha tendência a motoqueirisse, não amei? Saí de lá com vários brindes, um convite e um contato novo, o que foi extremamente assustador pra quem estava assustada com as caras de mau dos rapazes. Após esse episódio bacana, resolvi migrar pro antro dos trabalhadores que vivem no vermelho e fui ao calçadão. Tô sem grana faz tempo, como já foi mencionado por essas bandas, andei devendo minha vida e isso quer dizer que o pagamento que caiu agora dia 30 já foi quase inteiro e pra uma pessoa consumista que ainda tem que comprar algumas coisas, tive que optar pelo calçadão. Impressionante como os lojistas do calçadão perderam a noção de preço! Se eu fui até o calçadão, era porque eu queria coisa barata, mas o povo de lá anda com o rei na barriga e tão jurando que viraram Boulervard, a coisa tá tão boa pro povo de lá que querem a qualquer custo enfiar brindes na gente. Passei em frente á uma dessas lojinhas de bijou e a mocinha gritava na minha orelha que o papelzinho que ela queria me enfiar, era pra brinde, que era só entrar na loja, que não precisava comprar nada... MINHA FILHA, EU DETESTO BRINCO E NÃO QUERO SEU BRINDE DA PIEDADE, VAI ENFIAR SEU BRINDE.....
Foi difícil ficar naquele lugar bem habitado, com uma tattoo recém nascida, calçadão infernal, cheeeeeeeeeeio de gente e com as lojas explodindo de vendedores treinados na chatice, quis sumir imediatamente de lá e prometi não voltar tão cedo. Isso porque eu só queria achar alguma roupa meio hippie pra uma festa que eu vou (Uma HEADband vagabunda e feia tava custando 15 reais, absurdo) Esse povo anda acabando com a imagem hipponga com esse consumismo todo, desde quando pedaçoes de pano que o povo paz e amor usava nos anos 60, tem que custar 80 reais? ABSURDO! Lugares cheio de gente me desesperam numa proporção tão horrenda, que involuntariamente, saio correndo e gritando em meio a um desses surtos psicóticos. Voltei pra minha casinha feliz da vida porque consegui fazer minha tattoo, ganhei vários brindes, fui convidada a participar de um motoclube, e o mais importante, iria chegar em casa e rever Bento e Betina... E sem medo, tive que considerar esse dia, mesmo que meio atormentado, como um dia de alívio na minha vida que anda sem eira, nem beira. Quem sabe esse não seria um sinal de trégua do universo? Qualquer dia volto com outros relatos, porque imaginação hoje em dia também anda numa lástima só. Fui.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
De Ana das Loucas para Geni e o Zepelin,
Olha, eu sei que tá chato isso de ficar escrevendo sobre tudo que te acontece de ruim, mas a desgraceira parece que adorou entrar na pauta da tua vida fracassada, meu bem. Aceita isso... É tragédia que não acaba mais. Você poderia criar um marcador inusitado e mal amado em seu blogzinho chinfrin, denominado: Alvo de cosmo, ou então um outro chamado: Das tragédias verídicas que sugam a vida, e aí você jogaria 90% de seus textículos remendados nessa lixeira marcada e junto com eles, aquela vampira energética poser de Chaplin e a outra que funde motor de carro. Não ouse me dizer que é tpm, que eu certamente não hesitarei em te estapear no fim do dia. Tpm é outra coisa! Lembra ontem quando você tava sem esboçar reação, com dor de cabeça e vontade de aniquilar essa racinha de merda humana? Aquilo era sua tpm. Talvez se você parasse de beber ou de ser freneticamente desaforada, sua vida seria mais fácil e beeeeem mais chata que de costume. Talvez você não goste, mas como a sua 4ª personalidade, pseudônimo, heterônimo, escambau - a dos fracassos contínuos- me sinto no direito de não deixar que você se iluda com suas outras múltiplas personalidades trabalhadas na desgraça. Por exemplo, aquela que te faz pensar ser a rainha da cocada preta, deveria ter se aposentado faz tempo, coitada! Parecidíssima com aqueles vestidos obsoletos e esquecidos no fundo de um armário anos 80. Claro que ela só perde pra outra que jura ser a profissional, resolve um casinho aqui, outro processinho acolá, achando que tá abafando, dando conta, mas na hora que o caroço aperta, morre de vontade de virar uma macaca doida e gritar pulando de galho em galho. Amanhã ou depois, pode ser que eu te abandone, e mesmo que você comemore horrores após minha partida, você sabe que minhas palavras penetrarão naquele que é seu pior inimigo e meu fiel escudeiro, o subconsciente. Então até breve, te vejo em sua próxima bebedeira banhada de vexame.
De Alberto Caeiro, para Álvaro de Campos.
De Bárbara Flagelada para Carolina Embriagada.
sábado, 27 de outubro de 2012
Porque desgraça pouca é bobagem!
Não sei se cuspi no cosmo, pisei no rabinho da estrela cadente do universo ou então joguei pedra em Buda, mas sei que as coisas andam mais insanas e estranhas ainda pro meu lado. To salvando árvore à rodo das mãos desses motosserreiros panacas, mas ainda assim a mãe natureza não anda me adorando não. Já cogitei até a hipótese de Iemanjá ser a causadora desse monte de tragédia nada nada cômica que vem ocorrendo comigo, talvez ela tenha mexido suas aguinhas e me lançou uma urucubaca braba pra eu aprender a nunca mais falar dela. É, não tá funcionando muito viu rainha dos cabelos armados e vestidos bregas! Não tenho saído tanto, bebido eu tenho, mas causado não... Mesmo que eu quisesse, não poderia! Meu saldo se encontra em quase 400 reais negativos. É uma lástima pra uma pessoa sem filho, nem marido encostado, que não paga aluguel e nem parte de sua comida. Não sei qual meu problema, mas que é sério, é. Depois de estragar minha moto, pagar uma fortuna no concerto, ainda tive a manha de ralar um carro que não é meu - paguei outra fortuna. O stress finalmente me pegou de jeito, ando com toda a raiva incumbida e canalizada possível. Se eu fosse integrante de algum seriado, eu certamente interpretaria brilhantemente e surrealmente Dexter, estamos bem parecidos nos instintos assassinos. Até pouco tempo, eu tinha uma casa pra morar em Rondonópolis (cidade que farei faculdade), essa semana descobri que sou sem teto por lá (faltam 3 semanas pra eu ir de vez). Todas as noites tenho tido pesadelos, e não são pesadelos com castelos maquiavélicos, porém, lindos não. São pesadelos com coisas banais do dia a dia, mas que me atormentam até dormindo, como por exemplo trabalho demasiado, gente já falecida mas que volta e meia aparece apanhando muito de mim em meus sonhos, tombos de motos, acidentes de carro, pobreza, eu sem teto... coisas assim que andam fazendo bastante parte da minha vida real. Como eu tento ser paz e amor, abraçar uma árvore, ouvir uma música e relaxar, pensei dias desses em um remédio pra essa minha bad trip desvairada, stress significativo e cansaço cotidiano... Lembrei de uma música que diz: "A boa é se divertir, lançar mais uma tattoo, mandar os problemas e geral tomar no..." e me empolguei em fazer mais uma tattoo, me lembrei que a primeira que eu fiz, estranhamente me serviu como um banho de alma, mas resolveu por um tempo, agora tá na hora de fazer outra e ficar feliz a curto prazo novamente, se não fosse pelo fato de que meu tatuador foi-se embora pra SP, e eu to sem dinheiro, nem tempo... o que me leva a descartar todas as possibilidades de conseguir fazer outra tatuagem em um mês. To passando por uma fase onde tudo anda fazendo questão de se complicar pra mim, e eu que sempre venerei facilidades, to sofrendo. Mas tudo bem, uma hora o alvo do cosmo vira pra outra pessoa e isso passa, tudo passa.. Se não passar, tomo uns trinta passes, cinquenta bençãos e setenta descarregos.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Bullying Cósmico
O cosmo anda de sacanagem com a minha cara! Desde a semana passada eu venho percebendo um certo bullying cósmico por parte do universo com a minha pessoa e não ando vendo a menor graça. Alguma urucubaca braba andou grudando no meu pé de um jeito que não há pai de santo que dê jeito. Meu feriadão tão esperado e geralmente aproveitado, dessa vez foi uma catástrofe só (como eu já havia comentado com Deus e o mundo, porque sou dessas que adora expor as desgraças), mas isso, depois do incidente de moto, claro. Após a frustração com o fim de semana litorâneo, diluviano e canino, pensei ingenuamente que as coisas iriam melhorar, as divindades superiores iriam ficar com dó de mim e eu ganharia, pelo menos na loteria, mas o zodíaco permaneceu em sua rota de Vênus alinhado à Marte e as coisas só tenderam a piorar! Meia-noite de terça e muito frio, quis colocar minhas necessidades higiênicas em dia e tomar um banho daqueles de dar inveja em qualquer Iemanjá rainha das águas poluídas. Cheguei cansada, suada e pensando no banhão e no sonão que teria pra trabalhar disposta no dia seguinte, quando em meio aos meus primeiros 5 minutos de banho a felizarda importantíssima e famosa que às vezes dá de acabar, acabou! Foram três gotas finais cuspidas com um tom irônico na minha cara pelo chuveiro, pra água acabar de vez. Tava frio e eu suja, no dia seguinte acordaria cedo pra trabalhar então não havia jeito de adiar meu banho. Não se via baldes ou panelas pra encher de água e tomar banho de canequinha, e o que me restava era descer até às profundezas e labirintos escuros localizados atrás de minha humilde residência e tomar banho gelado, com um fiozinho da piedade de água que caía de dois em dois minutos. Já mencionei que o tal banheiro esquecido atrás da casa é abrigo de cobras, aranhas, ratos, gnomos e lobisomens? Já era mais de meia noite e tava escuro, sorte que a lua não era cheia. Não acabou por aí, perdi a hora no dia seguinte, e quando eu colocava meu capacete largo pra descer de moto, eis que caiu uma rajada d'água que fazia os sapos nadarem pela varanda de casa. De certo era dia de trote no universo, o cosmo veio de fininho em casa, roubou toda a água da caixa e resolveu implantá-la no céu pra ser despejada bem na hora que eu fosse sair de casa. Cheguei mais uma vez atrasada no serviço. Fazem duas semanas que chego atrasada no serviço por culpa do meu subconsciente que quer ficar dando uma de espertinho em conluio com a "soneca" do meu celular e sempre acabo tendo que me arrumar em 10 min. Cheguei no trabalho e dá-lhe bomba! O esquisitão jogou merda no ventilador, e como numa cena desses renomados filmes brasileiros, pediu pra sair depois de muitos tiros no meio da testa e chutes imaginários no saco. (Que arda no mármore do inferno!). Mais um dia de hora perdida, acordei com dois gritos de algum espírito no ouvido. Sim, isso mesmo, dois berros estrondosos de alguma entidade irreal que resolveu, num ato de boa ação, me acordar. (Agradeço desde já a compreensão e colaboração dessa força magnética e diferente que me ajudou). O dia foi mais corrido e tenebroso do que eu imaginava que seria, entre vistorias, processos e uma tristeza profunda de quem está pra dizer adeus, ainda tive que desembolsar uma grana preta pra arrumar a Gertrudes/Queen of drama/ Pérola Negra que estava sem amortecedor... Isso mesmo, eu estava cavalgando por todo esse tempo com minha moto sem amortecedor. Agora entendo a dor corporal demasiada, mas nada comparada à dor de bolso que logo me deu ao saber que teria que desembolsar muitos cruzados pra que a Gertrudes voltasse a dar no coro, Queen of drama voltasse a reinar e Pérola Negra velejar. To quase entrando também numa dessas cenas de Tropa de Elite e pedindo pra sair desse universo canastrão!
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