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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Das lambanças de um passado quase negro.

Daí que há um tempo atrás, eis que não satisfeita em passar vergonha apenas no ambiente de graduação, a felizarda aqui acabou cometendo um pequeno e singelo deslize quase imperceptível, quando bebeu como babau e cedeu uma entrevista em meio a um show do Gustavo Lima. Bonito seria se eu estivesse sóbria e lembrasse no dia seguinte, bacana seria se a entrevista não tivesse ido ao ar no almoço de domingo, fantástico seria se a cidade inteira não tivesse visto, and amazing would be, if my friends had not texting me about. Tudo bem, tudo bem., tudo passa! Mesmo que até a tia do restaurante universitário também ache graça e ria da sua cara na segunda-feira, tudo passa. Tudo passa até seus calouros começarem a chegar e vasculhar seu passado negro e divulgar seu passado negro e publicar o vídeo do seu passado negro no grupo do whatsapp pra mais trinta calouros ficarem cientes da ridicularidade de seu passado negro. Hierarquia estudantil em faculdade? Não trabalhamos. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Desventura é pouco! Do azar fora de hora.

Por mais que eu tivesse reclamado (se não reclamasse, não seria eu), chegar no Mato Grosso até que foi fácil. Tem dias que o cosmo deixa bem claro que NÃO É PRA VOCÊ LEVANTAR DA CAMA, ele basicamente esfrega isso na sua cara, só você não percebe. Tem dias que foram programados pelo universo pra te pregar uma peça, alguma entidade grotesca e que te detesta por questão de carma vai te sacanear até você pedir pra sair, e meu retorno pra Rondonópolis calhou num desses dias. Depois de todo o drama rodoviário, desafeto materno e desequilíbrio psicológico, consegui chegar em Roo, peguei um táxi com o taxista mais desumano da face da Terra, que não quis me fazer um desconto de DOIS míseros reais (se ele soubesse que me privou de duas bandejas de comida, teria remorso) e cheguei na escuridão pós-tempestade do Atlântico, na madruga e boladona. Além da lama característica das ruas mato-grossenses e do "breu" característico do bairro, eis que o "um mês e duas semanas" fora de casa, aparentemente, me fez ser desmerecedora de uma chave do cadeado novo do portão, trocado sem aviso prévio e a pessoa nascida numa sexta-feira 13 aqui, ficou trancada pra fora no vazio do bairro às 23h00, com suas muitas malas gigantes, sem nenhum vizinho no recinto. Boa, se o dia já tinha sido ruim, a noite tava só começando. Depois de atravessar a quadra sobre a lama com as malas gigantes no escuro, consegui entrar pelo portãozinho e cheguei na minha casa toda lamaçada, desprovida de luz, provida de calor (muito calor), e principalmente, abrigo de todas as baratas de Rondonópolis, tipo.. TODAS. Você percebe que a vida não tá pra brincadeira, quando vai cansada, exausta, moída, fazer seu xixi no escuro e sente mais uma daquelas quengas invertebradas subindo na sua perna, pega a lanterninha do seu Iphone 20 com rádio FM e ilumina um ninho com mais cinco fora aquela que acabou de morrer. Isso sim é desespero. A solução seria assistir algum episódio de alguma série cômica e dormir até que a escuridão passasse, mas o notebook resolveu não ligar e o modem resolveu quebrar justamente naquela noite. DELÍCIA de noite, mais deliciosa ainda com os muitos pernilongos me molestando em pleno calor de 38ºC até às 5h da matina que foi quando, finalmente, adormeci. Levantei às 7h, mas a partir daí, mesmo sendo zumbi ambulante, não posso reclamar, a cota de azar se esvaiu e o dia foi bom!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Das desventuras fora de hora

Aí você percebe que não é sua semana de sorte quando o domingo já começa conflitante na sua casa e sua mãe tá de cara virada pra você (sem motivos aparentes) mesmo com a sua partida marcada pra dois dias depois. Segunda serve pra você arrumar suas malas, lavar sua moto e planejar sua vida de terça-feira, para que ABSOLUTAMENTE nada dê errado e você chegue na mais tranquila paz de Jah no Mato Grosso. Terça chega e com ela o rancor infundado de sua mãe que quase não te dá tchau, muito menos te leva na rodoviária e você tem que se virar com as suas muitas malas gigantes. Você se vira e consegue pegar o circular pra SJC como o planejado, os horários encaixando, tudo lindo, até a maldita tamoios te surpreender com uma parada pra explosão de rocha justamente às 14h00, que consequentemente,te faz perder o ônibus para o aeroporto. MALDITA TAMOIOS, ISSO POR UM ACASO É HORA DE RESOLVER EXPLODIR ROCHA? FALTA DE BOM SENSO MANDOU 5BJS. Me fez perder o ônibus, perder a compostura, perder a calma, o rebolado, quase perder o vôo e muito dinheiro com ele, mas dessa vez fui salva pelo Pai e pelo pai, porque a família funciona assim, quando a mãe resolve te odiar, o pai -odiado pela mãe-, resolve te ajudar e vice-versa. Hormônios maternos, nova tamoios e litorânea, me desculpem, mas não foi dessa vez! 
#PartiuMatoGrosso 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Das baratas noturnas e higiênicas

Juro que eu gostaria muito de entender essa necessidade das baratas me atacarem durante meu banho relax da madruga. Pô, segunda vez já! To eu lá na minha, de boa, lavando meu cabelinho que tá parecendo de crente, tirando a terra rondonopolitana do pé e aí outra barata quenga resolve por conta própria tirar a minha paz.. Como se já não bastasse ter que conviver com essas ridículas no dia a dia pelas ruas, agora as suicidas decidiram adentrar a paz do meu banho, posso com isso?  Ela devia era ensinar meu cachorro a gostar de banho assim, porque olha.. Não tá fácil! 
Pelo menos essa foi mais gentil que a outra e resolveu subir delicadamente pelo meu pé ao invés de voar na minha coxa e me picar. Uma candura de barata, pena que MÓR REU! 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Das vergonhas de quarta-feira à noite

Não bastasse você acordar com vergonha da terça à noite, você tem que ser você e cometer alguma gafe ridícula na quarta também, principalmente se for na frente de um mooooonte de gente que está prestando a atenção justamente em você e no seu cigarro que foi insistentemente acendido do lado errado. Gente que tenta acender o filtro, vemos muito por aqui. 2Bjs

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Das vergonhas de quarta-feira

Aí você bebe em plena terça-feira pra comemorar o aniversário da amiga, fica embriagada, vai pra faculdade e sai abraçando árvores e pessoas desconhecidas porque alguém duvidou de você. Constrangimento no dia seguinte? Magiiiiiiiiiiina! 

domingo, 11 de agosto de 2013

Das coisas que só acontecem na calada da noite

Massa mesmo é você chegar bem da balada pela primeira vez em meses, ir dormir sozinha e feliz e a classe universitária operante e predominante do seu bairro começar a tocar a sua campainha incessantemente e correr, às cinco da matina! Mas mais massa mesmo é eles insistirem na ação até você sair e eles te dizerem: Bárbara, você é uma delicinha hein, qual seu número?
Meu número é o que você acabou de apertar quinhentas vezes, feladaputa!  

terça-feira, 23 de julho de 2013

Das coisas que só acontecem comigo.

Eis que no meio de um banho fervente, relaxante e pensativo, fui atacada por uma quenga, uma louca, uma feiticeira e ridícula barata sem noção. Aliás, ainda não tenho certeza se aquela bicha escrota era mesmo uma barata, pra mim, a retardada tava mais pra vampiranha. Agora me diz, como garantir a estabilidade emocional de uma pessoa que no meio de seu banho quente de reflexão sobre a mentruação, é atacada subitamente por uma cretina de uma barata? Era banho, tinha água, tava quente, muito quente, porque cargas d'água uma nojenta de uma barata resolve voar, pular, dar um paranauê sinistro e tão forte na minha coxa que me deu um reflexo instantâneo de dar um puta tapa na coxa e perceber que ali havia uma barata, ou pior, ali havia uma mordida de barata (sim, ela me mordeu), além dos vestígios de barata que ficaram na minha mão e no sabonete que ainda resolveu cair sobre o chão embaratado, eca!. Matei a desgraçada com o chinelo, porque graças ao bom Deus hoje resolvi tomar banho de chinelo, quero nem pensar no que seria de mim dentro de um minúsculo box de banheiro de quitinete, presa com uma barata pitbull. Mas uma coisa eu aprendi nessa experiência, NUNCA feche os olhos na hora de lavar o rosto, porque você até pode pensar que quando abrir de volta, vai no máximo dar de cara com um espírito, mas às vezes meu caro, você daria tudo pra dar de cara com um espírito... Barata Quenga! 

sábado, 20 de julho de 2013

Prazer, babau!

Eu poderia escrever sobre como meus finais de semana estão começando na quinta-feira e sobre o milagre da minha sobrevivência à cada sábado que se passa, eu poderia escrever sobre como minha imunidade quase já não mais existe e sobre a enfermidade incessante que me pegou de jeito, eu poderia tentar explicar todos os meus hematomas espalhados pelo corpo, ou sobre o fato de eu ter puxado meu pai no 
alcoolismo e meu irmão na falta de escrúpulos, eu poderia tentar me lembrar por onde andei ontem, talvez eu devesse cumprimentar de volta todas essas pessoas que me cumprimentam na rua sem que eu saiba de onde surgiu tal coleguismo. Mas não, hoje eu só quero que todo esse calor mato-grossense acabe, que chova horrores pra eu poder surfar em algum jacaré e que a minha casa, de repente fique limpa, até porque a louça acumulada na pia já tá grandinha o suficiente pra se lavar sozinha. Pra não dizer que eu não queria pensar em nada, eu queria uma explicação pra constante larica alcoólica que venho sofrendo, é inadmissível que em pleno o século 21 com todas essas tecnologias, comida e álcool ainda engorde, ou a inexistência de um comprimido que acabe com a fome pós brahma e que te martiriza na manhã seguinte te levando a sofrer pelas burradas cometidas e comidas na noite anterior. A tal pomba-gira que se apossa do meu corpitcho encervejado tá esquecendo que de outro plano aqui, só existe ela e que as ações da grotesca refletem sobre a minha denegrida imagem, porque convenhamos, receber o apelido com o nome do beudinho da cidade no primeiro mês de aula não é coisa de gente desse plano. 

sábado, 2 de março de 2013

Crise dos dezoito

Você percebe que sua vida está mudando quando de repente você se pega pensando em utilizar o dinheiro extra do seu aniversário para comprar um ferro de passar, um liquidificador e panelas. Falando sério, nunca pensei que um dia eu acabaria no Mato Grosso, morando sozinha e tendo que comprar mantimentos, pedir água, gás, pagar contas, fazer faxina, lavar roupas, pagar a fatura assustadora do cartão de crédito, entre outras coisas atordoantes que cansam qualquer indivíduo com menos de trinta anos que gosta de descansar. Bons tempos aqueles em que minha mãe tinha que resolver absolutamente tudo e eu só precisava viver! No início as novidades são sempre surpreendentes e empolgantes, no início tudo são realmente flores, você pensa que sua vida será do jeitinho que você sempre quis, sem cobranças, sem gente te atazanando, sem lembranças do passado, uma nova vida, e realmente é por um tempo até os fantasmas voltarem a te assombrar, até a engenharia esbofetear sua face, até as pessoas começarem a ser pessoas e o mar de rosas ir por água abaixo. Ai que dó que me dá dessa minha ingenuidade e inexperiência de vida nesses momentos, logo eu que pensava já ter visto tudo, estou agora imersa nesse imenso mártire momentâneo de crise existencial. Essa é a vida me dando lições e me mostrando que por mais que eu queira moldá-la como bem entender, na realidade é ela que me leva, me molda, me espanca, me afaga, me sufoca. Com dezoito me sinto uma dona de casa perdida e solitária que vive pensando "Por onde começar?" em meio à tanta desordem, desastre e desconcerto. Com dezoito me sinto velha e louca, com dezoito me sinto com dezoito, até porque sempre me disseram, eu é que não quis acreditar, mas a vida de verdade, realmente começa à partir dos dezoito. 




Agora deixa disso menina, comece a minimizar a desordem pelo seu quarto e cozinha que certamente ultrapassam a desordem da sua vida. JÁ! 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Vida frenética e calma de universitária sem jeito.

Não faz nem um mês que estou por aqui e já me sinto nativa dessas terras ricas! Andei me acostumando tanto com os "guris", "moça", "uai", "saca", "pensa", "boto fé", entre outras expressões utilizadíssimas pelos mato-grossenses que vez em outra, solto uma frase pronta e infestada de centro-oeste, tal como: "Uai guri, não boto fé que você não se arrumou ainda moço, tá na hora já, saca?" (Mentira, nunca que eu ia falar uma frase dessas no dia a dia.)  Minha vida anda num ritmo meio frenético, não de dia porque quando não tenho aula, fico vegetando dentro do meu quarto com o ar ligado, acho que daqui cinco anos quando voltar pra minha terra paulista, ainda não me acostumarei com o clima da minha segunda terra mato-grossense! Sempre fui meio desenfreada, desajuizada, mas aqui to levando vida de gente grande que tem que cozinhar pra comer, limpar a casa, comprar água e gás, mas isso só na teoria, porque se for pensar na prática, é relevante eu mencionar o fato de que fiquei uma semana com a casa imunda, sem roupa limpa, sem água, sem gelo e sem comida, foi uma semana de muito sol e em semanas de muito sol, prefiro ser vampiranha e morcegar dentro de casa. Também já me acostumei com a vida de caloura empreguete, levo bandejas e sucos pros veteranos numa boa, também os sirvo em festas sem pestanejar, e mesmo sendo caloura aplicada tomei uma trotada sem igual, meu trote foi tenebroso. Se meu cabelo pudesse falar, ele certamente iria querer desabafar sobre como ultrapassou seus limites de cabelo, quebrou barreiras, e sobreviveu ao trote, mas ele diria isso ao seu psicólogo, após um ano de terapia pós trote. Tinha farinha de trigo, café, cinquenta tons de tinta, ovo podre, mais farinha, mais tinta que  bonitamente nos customizou pra um ritual de magia negra, onde meus veteranos fizeram um pacto com o diabo e baixaram espíritos de gente porca com banana podre dentro da blusa, após o banho numa piscina de lama com frutas bichadas e escuras que atraem a atenção de qualquer mosquito ou urubu. Não sei como não fui carregada por um urubu após o término do meu trote que também envolveu tomar ovo e cuspir de novo no copo para o próximo tomar (fui uma das últimas, então aturei cuspe da turma inteira com gema que já tava branca, mas não gosto de pensar sobre esse momento, me deixa meio suicida!). Apesar de todo o recalque e flagelo à qual estive sujeita nesse momento de vingança de meus veteranos, me diverti horrores e ri à beça da minha própria desgraça, porque eles daqui não sabem, mas já tenho uma certa experiência em transformar minhas tragédias em comédias e comédias em tragédias, esse blog não me deixa mentir, então fui com tudo chupar banana com catchup, procurar halls com a boca num pote de farinha que estava no chão e achei interessante, agora compreendo o porque de tanta raiva no coraçãozinho desses meus veteranos, eles também já passaram por isso. To feliz, to feliz à beça, to feliz demais, é tanta felicidade que tenho medo de dizer demais e ela acabar! Antes tava com medo de deixar a estabilidade da minha vida que mesmo desenfreada, era profissional, mas agora tenho plena consciência de que se eu estou aqui, é porque é pra eu estar aqui, não se pode ir contra o destino, ou o cosmo. Por enquanto larguei um pouco a mão de escrever sobre minhas festas e ressacas, mesmo que aqui tenha festa todos os dias e eu tenha ressaca todos os dias, causo bastante por essas bandas também, esse é um karma daqueles que gruda mais que a banana podre do trote, mas é uma causada suave, sem muitos constrangimentos, tudo muito tranquilo! Resolvi mudar, agora sou uma Bárbara mais controlada, menos pegadora e mais estabilizada. E que seja assim até meu próximo capote de cara numa desilusão que me faça voltar a lamentar e rir de minhas tragédias. Agora vou nessa porque um churrasco me chama! Fui.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Devaneios numa tarde quente. (Pra não perder o costume! )

Acho que finalmente to no lugar certo por mais que isso não faça o menor sentido. Detesto calor (sempre detestei), detesto matemática (vou fazer engenharia), mas é estranho como as coisas parecem estar onde deveriam estar... à começar pelas pessoas. Uma coisa que raramente já me ocorreu, vem acontecendo com uma certa frequência nessas terras mato-grossenses... To cercada de pessoas excepcionalmente familiares. É como se eu já conhecesse a maioria, só não lembro de onde! Essa sensação é tão surreal que dá início à uma série de questionamentos que antes ficavam vagos no ar, sem exemplos práticos, como por exemplo a pergunta que não cala: será mesmo possível um reencontro de espíritos de outras vidas? Essa sensação não chega a ser ão forte à ponto de eu afirmar que fui irmã ou tia de alguém que conheci há menos de uma semana, mas a sensação de que eu conheço de antes algumas pessoas é tão forte que passei uma noite inteira tentando pensar se haveria alguma possibilidade de eu já ter visto tais pessoas, só que não né, aqui é Mato Grosso e eu sou de SP. Parece tolo, mas de vez em quando penso que talvez seja o tal destino agindo sobre a gente, nos colocando na estrada que deve ser seguida e esses flashes de memória de algo improvável, somos nós identificando o "caminho certo". Dizem que o tal dejavú é basicamente isso, a cena que a gente tem a impressão de "já ter visto antes" é o nosso reconhecimento de que estamos no lugar certo.  Deve ser por isso que fazem séculos que não tenho um dejavú, é impressionante a minha habilidade de estar sempre no lugar errado, na hora errada, mesmo que eu esteja no lugar certo. Pode ser que como sempre eu esteja falando bobagem, não estudo religiões ou ciência e nem tenho interesse, só digo o que eu penso e esse pensamento tinha que sair da cabeça e vir pra uma página do word, ou iria acabar me endoidando. Acho que se for pra ser, vai ser e se não for, fazer o que!



31/07/2013 - Não foi, se deu mal sua lesa!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Traços de uma semana no centro-oeste

Hoje faz uma semana que aterrissei nessas terras férteis e ricas do Mato Grosso que me renderão boas safras de dinheiro e é impressionante como a timidez tomou conta de mim de repente. Moro sozinha, o que pra mim é um alívio já que sou surtada com mania de limpeza e poderia cometer um assassinato facilmente se alguém deixasse um copo fora do lugar, mas o interessante daqui é que mesmo que cada um fique no seu quadrado, ninguém fica sozinho, exceto eu e minha timidez repentina. Por se tratar de um bairro universitário, existem espécies de "condomínios de quitinetes"  pra todos os lados, além de mercadinho, farmácia, sorveteria, pizzaria, bar, boteco, república, república, árvore, árvore, árvore, árvore, gato, gato, gato, gato (existe um número absurdo de felino procriando por essas bandas),  e todos são muito unidos, tenho certeza absoluta que cheguei a ver um gato unidíssimo à uma árvore ontem, quase uma cena proibida para menores (talvez eu tenha pesadelos com aquilo), as pessoas são muito simpáticas e atenciosas, alguns são preconceituosos como aquele encanador que me taxou como patricinha logo de cara sem nem me conhecer só porque sou loira, tava de vestido e sou de SP, bom... antes patricinha que puta, mas isso pra mim foi preconceito e não vi a menor graça, mal cheguei no Mato Grosso e fui alvo de preconceito por conta do meu Estado e aparência? E olha que eu tinha oferecido água, coca, suco e cadeira pro encanador hein, devia ter oferecido um tiro no meio da testa do sujeito também! Tirando o calor, aqui é perfeito e essa é a frase dita por todos os moradores de Rondonópolis, seja ele de SP, MG, TO, FDP, VSF, ETC, porque aqui tem gente de tudo que é canto. No meu "condomínio" tem gente de Goiás, Cuiabá, Tocantins, São Paulo, Paraibuna, e de outros lugares que eu ainda não sei devido ao fato que mencionei acima: uma timidez filha da puta tomou conta de mim e me fez ser uma decepção pro universo nessa semana que passou, mas to trabalhando nisso alcoolicamente falando (mentira). Tirando o calor (fase padrão) nada aqui me estressa, me irrita ou me deixa mal humorada, ontem foi o único dia que sofri de insônia, fui dormir às 4hs da manhã (o que aí em SP seria 5hs, existe um certo fuso horário) e por conta disso acordei super tarde hoje, mas já lavei roupa e tomei banho (na verdade lavei roupa no banho). Se eu fosse minha vizinha eu iria pensar que sou emo ou que morri dentro da minha casa, porque de dia eu quase nunca saio, não abro a janela, e mal abro a porta, pro ar-condicionado refrescar cada metro quadrado desse pequeno lar que chamo de meu, e não funciona muito na cozinha que vive um inferninho, mas meu quarto, aaaaaah meu quarto... é uma espécie de oásis no meio do deserto. Talvez a única coisa que me estresse um pouquinho (sempre tem que ter uma coisinha), é o chuveirinho do banheiro. Não sei porque é que inventaram aquela coisa inútil, quando eu era pequena podia até ser bacaninha, mas agora aquilo é um verdadeiro mártire durante o banho (tá, talvez eu tenha exagerado). Funciona assim, quando eu to finalmente relaxando numa boa, na aguinha fria de chuveiro que vive no desligado, aquele maldito chuveirinho escapa e voa água pra todo canto e IMPRESSIONANTE como ele sempre escapa quando eu tenho shampoo no cabelo, o que me faz levantar a cabeça rapidamente pra controlar a água desenfreada e o shampoo desce lentamente para meus lindos olhos. Esses dias quase tomei um tombo olímpico por conta do maldito chuveirinho inútil, mas fora o chuveirinho aqui tá bom demais, uai... Descobri também que a expressão "uai" não se restringe aos mineiros, os mato-grossenses são pioneiros nesse lance de "uai", cada ué meu é um uai deles, bacana isso uai. Também to ficando lenta, muito lenta, basicamente vegetativa por assim dizer. O calor faz essas coisas com a gente, deixa a gente mole, lerdo, lento, mongol, (os baianos que o digam) mas o calor infernal deixa a gente vegetativo. Meu vizinho me olhou com piedade agora pouco e me mandou uma sms dizendo: vida morgada essa sua hein! E não vou negar, não existe vida mais parada que essa minha por enquanto. Não sei se é a fase de adaptação, mas não faço absolutamente nada, só espero o dia acabar. Nunca pensei que diria isso, mas cairia bem a aula começar logo, meus neurônios estão atrofiando e isso não é normal pra quem não é dada à queimar um, to com neurônio queimado sem nem ter tido a brisa bacana que queima o neurônio. Injusto isso aí! Agora vou visitar a mãe do meu vizinho que é super bacana, ela às vezes me dá comida. (Não levem à sério, tem muita comida na minha geladeira hahaha foi só uma brincadeirinha). Fui! 

sábado, 24 de novembro de 2012

Primeiros dias de mato-grossense

Claro que não sou uma mato-grossense e nem serei uma tão logo já que nasci no interior de SP, mas como optei pelo desafio de viver como uma mato-grossense, cá estou eu num mato sem cachorro, mas com muitos gatos malhados (felinos mesmo ), os quais eu não posso alimentar de acordo com meu contrato de locação, mas que alimento mesmo assim. Após muita turbulência, uma quase queda de meu avião, alguns gritos de uns passageiros, e um piloto filho de uma égua, que deveria estar bêbado, aterrissamos, ou pior, quase chegamos ao núcleo da Terra após a tentativa falha de aterrissagem daquele piloto mal amado da Trip (falo mesmo, PÉSSIMA empresa aérea), e NÃO ESTAVA CALOR, isso mesmo, a temperatura estava por volta dos 27º C o que é normal na cidade pequenina e velha de Paris, logo pensei, opa, comecei bem com o clima... engano meu! Cheguei, chequei os móveis, me frustrei com o tamanho minúsculo de minha quitinete (acho que antes eu ainda não tinha me dado conta do que é de fato uma quitinet), e fui direto no ar condicionado! Ah, o ar-condicionado.... Acho que não existe invenção melhor nesse mundo, tenho plena certeza que foi uma mato-grossense à beira da loucura que inventou o célebre ar-condicionado. Liguei o tal! O tal ventilou, ventilou, ventilou, só ventilou, opa.... como assim só ventilou, porque cargas d’água meu ar condicionado tá só ventilando? E eu suando, suando pra valer! Nessa altura do campeonato, a temperatura já havia subido uns 10ºC! Me estressei. Se tem uma coisa que me estressa profundamente é o tal calor, e eu sei que escolhi o lugar errado pra viver por cinco anos já que detesto sol, mas detesto ainda mais um ano de cursinho. Acordei louca de emburrada, minha tromba atravessava a Bolívia e eu brava, muito brava, tomei um banho morno que estava com o chuveiro no gelado, por meia hora. Me desculpa meio ambiente, mas eu estava estressada demais pra pensar na natureza! Xinguei até a quadragésima quinta geração desse ar-condicionado e de quem me vendeu até descobrir que a errada era eu, eu é que não estava colocando na opção “+frio” que estava bem na minha fuça. Essas pessoas que vendem ar-condicionado deveriam começar a pensar seriamente em investir no aumento das letrinhas do aparelho. Meu quarto esfriou, fiquei feliz por um tempo, até mudei os poucos móveis de lugar, mas tive que sair cuidar da parte burocrática da coisa. DETESTO BUROCRACIA! Também odeio andar muito, agora junte na matemática (que eu também detesto): andar muito + no sol + resolver burocracias no Mato Grosso + calor infernal + Rua sem Ar Condicionado = Bárbara muito, mais muuuuuuito bravinha e estressada. Eu e minha mãe (que possui toda a paciência do mundo) pegamos um ônibus, descemos no lugar errado por minha culpa e andamos por meia hora deibaixo do sol. Depois andamos por mais vinte minutos por baixo de uma tempestade que nos deixou encharcada para chegar até o lugar que transfere a conta de água. Acontece que a leitura foi feita ontem e o MALDITO SISTEMA DO COMPUTADOR DA MOCINHA não deixou a gente transferir o negócio, ou seja, andamos esses cinquenta minutos no sol e chuva pra absolutamente nada! DETESTO BUROCRACIAS! Depois andamos mais meia hora embaixo do sol pós evaporação da chuva que choveu minutos antes (o ciclo da água ocorre realmente rápido por essas bandas quentes) para passar a energia para o meu nome, esperamos uns quarenta minutos na fila, mas foi ótimo porque havia ar condicionado e cadeira confortável no local... eu poderia passar o resto da vida ali numa boa! Depois de resolver pelo menos uma burocracia e já com o dia acabando, andamos mais meia hora e fomos à um atacadão que se chama ATACADÃO, parecidíssimo com o Tenda de sjc, lá tinha café e eu fiquei muito feliz com isso já que por aqui é super difícil encontrar café à tarde. Compramos umas coisas de dona de casa, e fomos na chuva novamente que provavelmente era fruto da evaporação da  outra chuva anterior daquela mesma tarde, até as Casas Bahia comprar um novo Notebook já que o meu morreu de vez. Enquanto eu olhava, minha mãe deu a célebre escapadela de sempre, na qual ela me deixa com todas as compras e some por ai, foi até a Pernambucanas que ficava longe dali e nós estamos no Mato Grosso e não em SJC. Após meia hora de espera, peguei todas as compras pesadas e saí na chuva atrás da Pernambucanas e da minha mãe que haviam sumido, eu estava muito, muito, muito brava, mas precisava de um notebook, então um sorriso logo tomou conta do meu rosto. Compramos e esperamos mais uma hora na fila com ar condicionado, só que de pé, o que não foi muito bacana pra quem passou o dia inteiro andando, e voltamos pra minha casa, my place, meu barraco, comemos e eu capotei com toda a dor de cabeça e ância do mundo... Depois acordei de madrugada com uns loucos ouvindo musica altíssima. Deviam ser alguns adolescentes usufruindo de suas sexta-feira e então voltei a dormir. Acordei às 7hs tomei um banho, café, lavei roupa e sofri preconceito de um mato-grossense, isso mesmo, eu fui alvo de preconceito nessa bela cidade, mas isso é assunto pra uma próxima postagem, agora vou ver se arrumo a senha da internet. Fui!