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sábado, 18 de janeiro de 2014

Da série: Começando o ano bem

Então sua vida financeira tá tão, mais tão na merda que você pega seu cartão de débito, porque o crédito já anda bloqueado há tempos, vai ao caixa eletrônico tentar sacar seus últimos R$47,00 restantes até seu limite gigante estourar, saca quarenta e quebra o cartão dentro do caixa eletrônico. 
Preocupação com o cartão? Só da parte dos bancários. 
Lágrimas por deixar o cartão quebrado e cortado dentro da leitora? Só no rosto de quem acessar minha conta.
O que me doeu mesmo foi contar moedinhas de dez pra pagar a passagem do ônibus e perceber que não poderei gastar esses últimos sete reais que me restam nem com um pouquinho de gasolina da piedade pra moto. Tempos difíceis, a gente vê por aqui! 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Das lambanças de um passado quase negro.

Daí que há um tempo atrás, eis que não satisfeita em passar vergonha apenas no ambiente de graduação, a felizarda aqui acabou cometendo um pequeno e singelo deslize quase imperceptível, quando bebeu como babau e cedeu uma entrevista em meio a um show do Gustavo Lima. Bonito seria se eu estivesse sóbria e lembrasse no dia seguinte, bacana seria se a entrevista não tivesse ido ao ar no almoço de domingo, fantástico seria se a cidade inteira não tivesse visto, and amazing would be, if my friends had not texting me about. Tudo bem, tudo bem., tudo passa! Mesmo que até a tia do restaurante universitário também ache graça e ria da sua cara na segunda-feira, tudo passa. Tudo passa até seus calouros começarem a chegar e vasculhar seu passado negro e divulgar seu passado negro e publicar o vídeo do seu passado negro no grupo do whatsapp pra mais trinta calouros ficarem cientes da ridicularidade de seu passado negro. Hierarquia estudantil em faculdade? Não trabalhamos. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Das traições tecnológias

Já mencionei que possuo um "Iphone 9", branco, desses com lanterninha e rádio FM que toca sem a necessidade de um fone de ouvido? É tecnologia pura e de ponta, a modernidade do teclado é coisa de louco, é de fazer inveja, é daqueles que você tem que clicar repetidamente no botão até chegar na letra, sabe.. Carinhas são trabalhosas, portanto inexistentes, mas nem sofro.. carinhas são coisas sugestivas, como por exemplo o " ;) " Pra mim, quem manda essa piscadela sugestiva aí, claramente tá querendo! Pois bem, estava eu até que feliz com meu alcatel de centoenovereais (um absurdo de caro) com lanterninha, quando surgiu a explosão dos grupos no whatsapp, impressionante como as pessoas esperam meu antigo celular androidado ser roubado pra começar com essa pequena e singela exclusão social chamada whatsapp! Me lembro bem como se fosse mês re-retrasado, quando as pessoas mal entravam nessa porcaria de whatsapp e eu ficava lá, foreveralone, mendingando conversa e nem uma boa alma viva me respondia, aí agora todo mundo entrou numa espécie de conspiração desintencionada contra meu alcatel e acabei ficando por fora das boas novas,  o que me levou a tomar uma atitude sórdida, porém necessária, até porque Bárbara fica sem pagar continhas, mas Bárbara não fica sem as boas novas, então a solução foi dura e triste pro meu alcatel que sofreu uma grande traição justamente no dia de hoje.. Acontece que peguei meus últimos tostões furados, me dirigi à uma lojinha da Tim (dessa vez sem bater a carinha na vitrine) e pedi pro moço o celular mais barato que ele tivesse, porém, com o maldito android. Chorei desconto, ganhei desconto.. yes, comprei o brinquedo! Agora tenho whatsapp negada, já podem começar a papear eternamente que eu juro que lerei as 107 conversas/minuto por pelo menos esses primeiros dois dias! 
Minhas sinceras desculpas alcatel, mas agora já podes descansar a lanterninha em paz. :(  ;)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Das poucas, porém sábias, decisões.

Daí que eu resolvi me desvencilhar daquele que esteve presente nos melhores, piores e medianos momentos da minha vida. Resolvi abdicar do meu parceiro mais querido e odiado, meu amigo fiel, irmão, camarada. Sem dó nem piedade, anulei o pobre e dei fim na linha tênue que existia entre nosso amor e desamor. Foi bom enquanto durou, carregarei algumas marcas de ti por toda a eternidade, e quanto às memórias, bem.. são poucas devido ao subconsciente que te desgosta, mas te digo, foi melhor assim! Perdoe-me amado, mas a ressaca não tá compensando a farra, e os hematomas andam cada vez mais horripilantes. Parei contigo, álcool.. Até dia desses! 
Au revoir.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dos planos falhos

Então você acorda decidida a viajar pra Pelotas ver se existe mesmo uma bruxa na casa da bruxa que suas amigas tanto comentam; conferir de perto, esperando ser lorota, a masculinidade precária dos boy-magia gaúchos de olho claro, ver se alguém realmente encarna Chico no barzinho da esquina, e principalmente, averiguar se a boemia do lugar faz jus à fama. Você se antecede e pensa em se preparar mentalmente e fisicamente pra Kaballah que resolveu fazer bis nesse ano em meados de dezembro e já dá aquela fritadinha nostálgica em pensamento, com gostinho de: uhul, quero mais!  Decide também passar com cerveja o amado carnaval em Salvador.
Tudo certo, tudo lindo, muitos planos, tudo anotado, tudo conferido, malas à disposição e euforia a mil... até você se dar conta de um porém, um únicuzinho porém... Você se encontra devendo quase dois mil reais nos seus cartões. 
Parabéns Bárbara, adeus planos. 2bj. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Às avessas

Como não dar merda?

A pessoa nasceu odiando o calor, excomungando a matemática, detestando sertanejo, não vendo a menor graça em peões ou fazendas, e aí atinge a maioridade e faz o quê? 
Vai morar no Mato Grosso pra fazer Engenharia Agrícola! 

Como não dar merda? 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Das vergonhas de quarta-feira

Aí você bebe em plena terça-feira pra comemorar o aniversário da amiga, fica embriagada, vai pra faculdade e sai abraçando árvores e pessoas desconhecidas porque alguém duvidou de você. Constrangimento no dia seguinte? Magiiiiiiiiiiina! 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Gente prendada, não trabalhamos.

E aí você é tão boa, mas tããããão boa na cozinha, que até seu café em pó solúvel fica horrível! Sofrimento e fome, a gente vê por aqui.

domingo, 11 de agosto de 2013

Das coisas que só acontecem na calada da noite

Massa mesmo é você chegar bem da balada pela primeira vez em meses, ir dormir sozinha e feliz e a classe universitária operante e predominante do seu bairro começar a tocar a sua campainha incessantemente e correr, às cinco da matina! Mas mais massa mesmo é eles insistirem na ação até você sair e eles te dizerem: Bárbara, você é uma delicinha hein, qual seu número?
Meu número é o que você acabou de apertar quinhentas vezes, feladaputa!  

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Diálogo de domingo

- Eaí, caiu?

- Não sei. Caí?

- Se lembra de ontem?

- Mal lembro de hoje..

- Muitos hematomas?

- Minha memória diz que não, meu corpo diz que sim.

- Foi embora como?

- Transcendi.

- Quem era o bofe?

- Bofe? que bofe?

...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Mire em outro alvo.. Em nós, não!

Não! Não me venha com essas palavras torpes e mal intencionadas que nos ataca cheias de julgamentos plausíveis, porém desnecessários. Não somos aptos a julgar o outro, não temos todo esse poder, não somos todo esse poder. Não me venha com todo esse ar de superioridade porque conhece palavras e pode uni-las, isso faz de você alguém com um dom, apenas.. Dom todos temos, só não são os mesmos. Não venha com essa moralidade barata que nos aponta um dedo na cara mostrando que não somos nada, somos tudo, somos quem somos, somos quem queremos ser, somos desprendidos das regras impostas pela sociedade, as quais você certamente segue religiosamente, essa sociedade que te faz escrava e que você ataca, mas acata. Gostamos de escrever, crer, ler, aprender, crescer, mas também gostamos de nos perder e nem por isso somos inferiores, nem por isso somos caras maus, a experiência que se ganha na rua é bem maior do que a experiência que se ganha trancafiada no quarto, quieta, parada, julgando, apontando, lamentando. Não nos venha com todo esse julgamento, o pré conceito é a pior arma contra si mesmo, a arrogância é a pior droga que se pode usufruir. Não usufrua de toda essa arrogância que nenhuma papoula faz tão mal quanto um indivíduo banal que pensa ser o tal. 

domingo, 20 de janeiro de 2013

10 à 0 pra um arroz!

Se eu realmente fosse inteligente, eu nem me daria ao trabalho de tentar cozinhar. É lamentável a minha performance lastimável na cozinha, simplesmente não temos afinidade uma com a outra! Houve uma época em que eu sabia realmente como usar um forno e produzia algumas tortas, pão de queijo, pizzas com massa de ovo e a titia Ana Maria Braga se prontificava a me dar notas pela manhã em minhas férias. Coitada dessa Bárbara, não teve vida social nesse ano, o que nos leva a perguntar porque cargas d'água uma adolescente acordava cedo em suas férias para aprender com Mais Você? Ou então poderíamos indagar sobre a causa de uma adolescente acordar cedo em suas férias para anotar receitas de doces, é como se não houvesse internet, baladas na noite anterior ou qualquer outra coisa menos desnecessária que essa. Desnecessário na época, porque hoje em dia a realidade infelizmente é outra. Hoje tive a infeliz ideia de tentar fazer um arroz! Pra quem tem uma certa facilidade em fritar tempero, lavar arroz, colocar na panela e tudo isso ao mesmo tempo, vai ficar horrorizado com minha incapacidade, mas eu juro que acho extremamente difícil lidar com todas essas ações ao mesmo tempo, então aconteceu o inevitável, meu arroz queimou, quase pegou fogo na minha cozinha e cabelo e minha única panela encontra-se com uma crosta nojenta e preta ao fundo, isso sem mencionar o fato de que eu mandei uma mensagem para uma amiga prendada, perguntando como se fazia um arroz. Por incrível que pareça, nem com receita eu obtive sucesso. Agradeço ao útero da minha mãe a ao esperma do meu pai por terem me semeado nessa época onde cozinhar não é mais pré-requisito pra arrumar emprego ou marido, porque se fosse, eu certamente morreria pobre, com fome e solteira! Calma, se você for alguma espécie de rapaz lindo, solteiro, à procura de um relacionamento sério, não desanime! Sei fazer café como ninguém, mas já vou avisando que não me habilito à limpar o pó derramado sobre a mesa, as colheres e bules sujos, a porra da borra que insiste em melecar a pia ou a água fervente sobre o chão, sei fazer café... limpar já é outra história. Só acho que quem nasceu pra ser dona de casa, deve ter uma vida ótima, com filhos educados e bem nutridos, eu só espero conseguir um bom trabalho algum dia pra poder pagar essa mulher medonha que consegue fazer tudo ao mesmo tempo, porque fazer arroz é difícil,  fazer arroz, feijão, mistura, e ainda criar um filho deve ser impossível, não desejo passar por essa experiência de mulher maravilha tão cedo.  Mas enquanto não tenho dinheiro pra pagar essa mulher, vou passando fome, me alimentando mal e cultivando uma cozinha imunda.  

sábado, 15 de dezembro de 2012

Vida frenética e calma de universitária sem jeito.

Não faz nem um mês que estou por aqui e já me sinto nativa dessas terras ricas! Andei me acostumando tanto com os "guris", "moça", "uai", "saca", "pensa", "boto fé", entre outras expressões utilizadíssimas pelos mato-grossenses que vez em outra, solto uma frase pronta e infestada de centro-oeste, tal como: "Uai guri, não boto fé que você não se arrumou ainda moço, tá na hora já, saca?" (Mentira, nunca que eu ia falar uma frase dessas no dia a dia.)  Minha vida anda num ritmo meio frenético, não de dia porque quando não tenho aula, fico vegetando dentro do meu quarto com o ar ligado, acho que daqui cinco anos quando voltar pra minha terra paulista, ainda não me acostumarei com o clima da minha segunda terra mato-grossense! Sempre fui meio desenfreada, desajuizada, mas aqui to levando vida de gente grande que tem que cozinhar pra comer, limpar a casa, comprar água e gás, mas isso só na teoria, porque se for pensar na prática, é relevante eu mencionar o fato de que fiquei uma semana com a casa imunda, sem roupa limpa, sem água, sem gelo e sem comida, foi uma semana de muito sol e em semanas de muito sol, prefiro ser vampiranha e morcegar dentro de casa. Também já me acostumei com a vida de caloura empreguete, levo bandejas e sucos pros veteranos numa boa, também os sirvo em festas sem pestanejar, e mesmo sendo caloura aplicada tomei uma trotada sem igual, meu trote foi tenebroso. Se meu cabelo pudesse falar, ele certamente iria querer desabafar sobre como ultrapassou seus limites de cabelo, quebrou barreiras, e sobreviveu ao trote, mas ele diria isso ao seu psicólogo, após um ano de terapia pós trote. Tinha farinha de trigo, café, cinquenta tons de tinta, ovo podre, mais farinha, mais tinta que  bonitamente nos customizou pra um ritual de magia negra, onde meus veteranos fizeram um pacto com o diabo e baixaram espíritos de gente porca com banana podre dentro da blusa, após o banho numa piscina de lama com frutas bichadas e escuras que atraem a atenção de qualquer mosquito ou urubu. Não sei como não fui carregada por um urubu após o término do meu trote que também envolveu tomar ovo e cuspir de novo no copo para o próximo tomar (fui uma das últimas, então aturei cuspe da turma inteira com gema que já tava branca, mas não gosto de pensar sobre esse momento, me deixa meio suicida!). Apesar de todo o recalque e flagelo à qual estive sujeita nesse momento de vingança de meus veteranos, me diverti horrores e ri à beça da minha própria desgraça, porque eles daqui não sabem, mas já tenho uma certa experiência em transformar minhas tragédias em comédias e comédias em tragédias, esse blog não me deixa mentir, então fui com tudo chupar banana com catchup, procurar halls com a boca num pote de farinha que estava no chão e achei interessante, agora compreendo o porque de tanta raiva no coraçãozinho desses meus veteranos, eles também já passaram por isso. To feliz, to feliz à beça, to feliz demais, é tanta felicidade que tenho medo de dizer demais e ela acabar! Antes tava com medo de deixar a estabilidade da minha vida que mesmo desenfreada, era profissional, mas agora tenho plena consciência de que se eu estou aqui, é porque é pra eu estar aqui, não se pode ir contra o destino, ou o cosmo. Por enquanto larguei um pouco a mão de escrever sobre minhas festas e ressacas, mesmo que aqui tenha festa todos os dias e eu tenha ressaca todos os dias, causo bastante por essas bandas também, esse é um karma daqueles que gruda mais que a banana podre do trote, mas é uma causada suave, sem muitos constrangimentos, tudo muito tranquilo! Resolvi mudar, agora sou uma Bárbara mais controlada, menos pegadora e mais estabilizada. E que seja assim até meu próximo capote de cara numa desilusão que me faça voltar a lamentar e rir de minhas tragédias. Agora vou nessa porque um churrasco me chama! Fui.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Devaneios numa tarde quente. (Pra não perder o costume! )

Acho que finalmente to no lugar certo por mais que isso não faça o menor sentido. Detesto calor (sempre detestei), detesto matemática (vou fazer engenharia), mas é estranho como as coisas parecem estar onde deveriam estar... à começar pelas pessoas. Uma coisa que raramente já me ocorreu, vem acontecendo com uma certa frequência nessas terras mato-grossenses... To cercada de pessoas excepcionalmente familiares. É como se eu já conhecesse a maioria, só não lembro de onde! Essa sensação é tão surreal que dá início à uma série de questionamentos que antes ficavam vagos no ar, sem exemplos práticos, como por exemplo a pergunta que não cala: será mesmo possível um reencontro de espíritos de outras vidas? Essa sensação não chega a ser ão forte à ponto de eu afirmar que fui irmã ou tia de alguém que conheci há menos de uma semana, mas a sensação de que eu conheço de antes algumas pessoas é tão forte que passei uma noite inteira tentando pensar se haveria alguma possibilidade de eu já ter visto tais pessoas, só que não né, aqui é Mato Grosso e eu sou de SP. Parece tolo, mas de vez em quando penso que talvez seja o tal destino agindo sobre a gente, nos colocando na estrada que deve ser seguida e esses flashes de memória de algo improvável, somos nós identificando o "caminho certo". Dizem que o tal dejavú é basicamente isso, a cena que a gente tem a impressão de "já ter visto antes" é o nosso reconhecimento de que estamos no lugar certo.  Deve ser por isso que fazem séculos que não tenho um dejavú, é impressionante a minha habilidade de estar sempre no lugar errado, na hora errada, mesmo que eu esteja no lugar certo. Pode ser que como sempre eu esteja falando bobagem, não estudo religiões ou ciência e nem tenho interesse, só digo o que eu penso e esse pensamento tinha que sair da cabeça e vir pra uma página do word, ou iria acabar me endoidando. Acho que se for pra ser, vai ser e se não for, fazer o que!



31/07/2013 - Não foi, se deu mal sua lesa!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Traços de uma semana no centro-oeste

Hoje faz uma semana que aterrissei nessas terras férteis e ricas do Mato Grosso que me renderão boas safras de dinheiro e é impressionante como a timidez tomou conta de mim de repente. Moro sozinha, o que pra mim é um alívio já que sou surtada com mania de limpeza e poderia cometer um assassinato facilmente se alguém deixasse um copo fora do lugar, mas o interessante daqui é que mesmo que cada um fique no seu quadrado, ninguém fica sozinho, exceto eu e minha timidez repentina. Por se tratar de um bairro universitário, existem espécies de "condomínios de quitinetes"  pra todos os lados, além de mercadinho, farmácia, sorveteria, pizzaria, bar, boteco, república, república, árvore, árvore, árvore, árvore, gato, gato, gato, gato (existe um número absurdo de felino procriando por essas bandas),  e todos são muito unidos, tenho certeza absoluta que cheguei a ver um gato unidíssimo à uma árvore ontem, quase uma cena proibida para menores (talvez eu tenha pesadelos com aquilo), as pessoas são muito simpáticas e atenciosas, alguns são preconceituosos como aquele encanador que me taxou como patricinha logo de cara sem nem me conhecer só porque sou loira, tava de vestido e sou de SP, bom... antes patricinha que puta, mas isso pra mim foi preconceito e não vi a menor graça, mal cheguei no Mato Grosso e fui alvo de preconceito por conta do meu Estado e aparência? E olha que eu tinha oferecido água, coca, suco e cadeira pro encanador hein, devia ter oferecido um tiro no meio da testa do sujeito também! Tirando o calor, aqui é perfeito e essa é a frase dita por todos os moradores de Rondonópolis, seja ele de SP, MG, TO, FDP, VSF, ETC, porque aqui tem gente de tudo que é canto. No meu "condomínio" tem gente de Goiás, Cuiabá, Tocantins, São Paulo, Paraibuna, e de outros lugares que eu ainda não sei devido ao fato que mencionei acima: uma timidez filha da puta tomou conta de mim e me fez ser uma decepção pro universo nessa semana que passou, mas to trabalhando nisso alcoolicamente falando (mentira). Tirando o calor (fase padrão) nada aqui me estressa, me irrita ou me deixa mal humorada, ontem foi o único dia que sofri de insônia, fui dormir às 4hs da manhã (o que aí em SP seria 5hs, existe um certo fuso horário) e por conta disso acordei super tarde hoje, mas já lavei roupa e tomei banho (na verdade lavei roupa no banho). Se eu fosse minha vizinha eu iria pensar que sou emo ou que morri dentro da minha casa, porque de dia eu quase nunca saio, não abro a janela, e mal abro a porta, pro ar-condicionado refrescar cada metro quadrado desse pequeno lar que chamo de meu, e não funciona muito na cozinha que vive um inferninho, mas meu quarto, aaaaaah meu quarto... é uma espécie de oásis no meio do deserto. Talvez a única coisa que me estresse um pouquinho (sempre tem que ter uma coisinha), é o chuveirinho do banheiro. Não sei porque é que inventaram aquela coisa inútil, quando eu era pequena podia até ser bacaninha, mas agora aquilo é um verdadeiro mártire durante o banho (tá, talvez eu tenha exagerado). Funciona assim, quando eu to finalmente relaxando numa boa, na aguinha fria de chuveiro que vive no desligado, aquele maldito chuveirinho escapa e voa água pra todo canto e IMPRESSIONANTE como ele sempre escapa quando eu tenho shampoo no cabelo, o que me faz levantar a cabeça rapidamente pra controlar a água desenfreada e o shampoo desce lentamente para meus lindos olhos. Esses dias quase tomei um tombo olímpico por conta do maldito chuveirinho inútil, mas fora o chuveirinho aqui tá bom demais, uai... Descobri também que a expressão "uai" não se restringe aos mineiros, os mato-grossenses são pioneiros nesse lance de "uai", cada ué meu é um uai deles, bacana isso uai. Também to ficando lenta, muito lenta, basicamente vegetativa por assim dizer. O calor faz essas coisas com a gente, deixa a gente mole, lerdo, lento, mongol, (os baianos que o digam) mas o calor infernal deixa a gente vegetativo. Meu vizinho me olhou com piedade agora pouco e me mandou uma sms dizendo: vida morgada essa sua hein! E não vou negar, não existe vida mais parada que essa minha por enquanto. Não sei se é a fase de adaptação, mas não faço absolutamente nada, só espero o dia acabar. Nunca pensei que diria isso, mas cairia bem a aula começar logo, meus neurônios estão atrofiando e isso não é normal pra quem não é dada à queimar um, to com neurônio queimado sem nem ter tido a brisa bacana que queima o neurônio. Injusto isso aí! Agora vou visitar a mãe do meu vizinho que é super bacana, ela às vezes me dá comida. (Não levem à sério, tem muita comida na minha geladeira hahaha foi só uma brincadeirinha). Fui! 

sábado, 24 de novembro de 2012

Primeiros dias de mato-grossense

Claro que não sou uma mato-grossense e nem serei uma tão logo já que nasci no interior de SP, mas como optei pelo desafio de viver como uma mato-grossense, cá estou eu num mato sem cachorro, mas com muitos gatos malhados (felinos mesmo ), os quais eu não posso alimentar de acordo com meu contrato de locação, mas que alimento mesmo assim. Após muita turbulência, uma quase queda de meu avião, alguns gritos de uns passageiros, e um piloto filho de uma égua, que deveria estar bêbado, aterrissamos, ou pior, quase chegamos ao núcleo da Terra após a tentativa falha de aterrissagem daquele piloto mal amado da Trip (falo mesmo, PÉSSIMA empresa aérea), e NÃO ESTAVA CALOR, isso mesmo, a temperatura estava por volta dos 27º C o que é normal na cidade pequenina e velha de Paris, logo pensei, opa, comecei bem com o clima... engano meu! Cheguei, chequei os móveis, me frustrei com o tamanho minúsculo de minha quitinete (acho que antes eu ainda não tinha me dado conta do que é de fato uma quitinet), e fui direto no ar condicionado! Ah, o ar-condicionado.... Acho que não existe invenção melhor nesse mundo, tenho plena certeza que foi uma mato-grossense à beira da loucura que inventou o célebre ar-condicionado. Liguei o tal! O tal ventilou, ventilou, ventilou, só ventilou, opa.... como assim só ventilou, porque cargas d’água meu ar condicionado tá só ventilando? E eu suando, suando pra valer! Nessa altura do campeonato, a temperatura já havia subido uns 10ºC! Me estressei. Se tem uma coisa que me estressa profundamente é o tal calor, e eu sei que escolhi o lugar errado pra viver por cinco anos já que detesto sol, mas detesto ainda mais um ano de cursinho. Acordei louca de emburrada, minha tromba atravessava a Bolívia e eu brava, muito brava, tomei um banho morno que estava com o chuveiro no gelado, por meia hora. Me desculpa meio ambiente, mas eu estava estressada demais pra pensar na natureza! Xinguei até a quadragésima quinta geração desse ar-condicionado e de quem me vendeu até descobrir que a errada era eu, eu é que não estava colocando na opção “+frio” que estava bem na minha fuça. Essas pessoas que vendem ar-condicionado deveriam começar a pensar seriamente em investir no aumento das letrinhas do aparelho. Meu quarto esfriou, fiquei feliz por um tempo, até mudei os poucos móveis de lugar, mas tive que sair cuidar da parte burocrática da coisa. DETESTO BUROCRACIA! Também odeio andar muito, agora junte na matemática (que eu também detesto): andar muito + no sol + resolver burocracias no Mato Grosso + calor infernal + Rua sem Ar Condicionado = Bárbara muito, mais muuuuuuito bravinha e estressada. Eu e minha mãe (que possui toda a paciência do mundo) pegamos um ônibus, descemos no lugar errado por minha culpa e andamos por meia hora deibaixo do sol. Depois andamos por mais vinte minutos por baixo de uma tempestade que nos deixou encharcada para chegar até o lugar que transfere a conta de água. Acontece que a leitura foi feita ontem e o MALDITO SISTEMA DO COMPUTADOR DA MOCINHA não deixou a gente transferir o negócio, ou seja, andamos esses cinquenta minutos no sol e chuva pra absolutamente nada! DETESTO BUROCRACIAS! Depois andamos mais meia hora embaixo do sol pós evaporação da chuva que choveu minutos antes (o ciclo da água ocorre realmente rápido por essas bandas quentes) para passar a energia para o meu nome, esperamos uns quarenta minutos na fila, mas foi ótimo porque havia ar condicionado e cadeira confortável no local... eu poderia passar o resto da vida ali numa boa! Depois de resolver pelo menos uma burocracia e já com o dia acabando, andamos mais meia hora e fomos à um atacadão que se chama ATACADÃO, parecidíssimo com o Tenda de sjc, lá tinha café e eu fiquei muito feliz com isso já que por aqui é super difícil encontrar café à tarde. Compramos umas coisas de dona de casa, e fomos na chuva novamente que provavelmente era fruto da evaporação da  outra chuva anterior daquela mesma tarde, até as Casas Bahia comprar um novo Notebook já que o meu morreu de vez. Enquanto eu olhava, minha mãe deu a célebre escapadela de sempre, na qual ela me deixa com todas as compras e some por ai, foi até a Pernambucanas que ficava longe dali e nós estamos no Mato Grosso e não em SJC. Após meia hora de espera, peguei todas as compras pesadas e saí na chuva atrás da Pernambucanas e da minha mãe que haviam sumido, eu estava muito, muito, muito brava, mas precisava de um notebook, então um sorriso logo tomou conta do meu rosto. Compramos e esperamos mais uma hora na fila com ar condicionado, só que de pé, o que não foi muito bacana pra quem passou o dia inteiro andando, e voltamos pra minha casa, my place, meu barraco, comemos e eu capotei com toda a dor de cabeça e ância do mundo... Depois acordei de madrugada com uns loucos ouvindo musica altíssima. Deviam ser alguns adolescentes usufruindo de suas sexta-feira e então voltei a dormir. Acordei às 7hs tomei um banho, café, lavei roupa e sofri preconceito de um mato-grossense, isso mesmo, eu fui alvo de preconceito nessa bela cidade, mas isso é assunto pra uma próxima postagem, agora vou ver se arrumo a senha da internet. Fui!

sábado, 17 de novembro de 2012

Os 5 dias

Faltam 5 dias para eu deixar pra trás a velha Paris, cidade das águas escuras. CINCO dias, que parecem um milênio, mas que ao mesmo tempo parecem cinco minutos. Até então eu estava estável, pensando no quão equilibrada eu sou, sensata, ponderada e corajosa, acontece que é mentira, meu corpo andou me enganando por esse tempo todo se fazendo de bad ass, mas agora que me dei conta que daqui c-i-n-c-o dias, neste mesmo horário, eu estarei definitivamente num outro lugar, me borrei toda (não literalmente, porque com o nervosismo, meu intestino resolveu travar pra sempre). Serão cinco dias sem ir ao banheiro, sem saber me organizar, forçando a mente pra não deixar nada pra trás, forçando os olhos para captar qualquer movimento brusco de minha mãe, como por exemplo o que fazer quando o gás acabar. Nunca achei que teria esse tipo de questionamento na minha vida tão cedo, na verdade, sempre soube que eu teria já que meu destino me empurrou pra uma direção contrária à dessas donas de casa, e agora assim, repentinamente, percebi que terei cinco míseros dias pra aprender a trocar chuveiros, fazer feijão, deixar meu apê em ordem, mantê-lo em ordem. Ontem fui à americanas comprar uma pringles, como de costume, e me deparei com um jogo de panelas super bonitinho, roxinho, da tramontina. Nunca pensei que minha atenção se ateria à um jogo de panelas, depois à um jogo de talheres e por fim ao preço de ambos me lembrando que não caberia comprá-los na minha atual situação de pindaíba. Tenho cinco dias pra aprender a administrar meu dinheiro. Fico pensando sobre o restante dos dias que me passaram, no que é que eu estava pensando, o que é que eu estava fazendo, porque é que eu não estava me organizando fisicamente e mentalmente pra encarar numa boa a chegada desses 5 dias tão horripilantes e me dei conta que antes eu não tinha me dado conta. Tenho essa mania chata e cheia de consequências de nunca me dar conta de nada. Me lembro que nesse último mês, me esforcei como um camelo pra dar conta de pelo menos uma coisa: meu trabalho. Nesses oito meses de trabalho, descobri que apesar de ainda ser muito irresponsável e adolescente, levo extremamente à sério meus compromissos. Sou dessas que perde noites de sono pensando sobre o laudo ambiental, parecer técnico, vistoria, notificação, burocracia, blablabla, mimimi, todas essas coisas que ocuparão minha cabeça no dia seguinte e que eu provavelmente darei conta porque pra mim, trabalho é compromisso e compromisso é coisa séria. Talvez tenha sido por isso que eu tenha me esquecido que um dia os cinco dias chegariam, estava ocupada demais trabalhando demais. Valeu a pena, aprendi a beça! O que me atormenta mesmo nesses cinco dias não é tanto pensar na solidão futura, porque eu adoro a solidão, adoro meu espaço, adoro ter meu ritmo,  é pensar em ter que crescer como gente, porque apesar de eu ja ter crescido um pouquinho como profissional, não vou negar, minha vida é boa. Minha mãe batalhou a vida inteira pra me dar uma vida boa e eu não vou abrir mão dessa vida e virar franciscana, não sou santa ou mané. Penso sobre as contas de água, luz, esgoto, entre outras que eu terei que pagar e o pior, que não poderei esquecer de jeito nenhum, o que é um grande problema já que minha memória é péssima; Penso sobre a comida que terei que preparar se não quiser morrer de fome e modéstia parte, eu cozinho horrivelmente mal; Penso sobre a roupa que terei que lavar entre um período da faculdade integral e outro, penso, penso, penso e surto com esses cinco dias que me restam. Cinco dias repletos de muita tensão, e eu realmente espero que pelo menos meu intestino funcione nesses cinco dias. Até qualquer dia, fui.